As bibliotecas municipais de Madrid retificam após afirmar que García Lorca "faleceu": "Foi assassinado"

A conta das Bibliotecas Públicas Municipais de Madrid eliminou uma publicação na qual descrevia como "falecimento" o assassinato de Federico García Lorca, do qual se completam 90 anos. A retificação chegou após as críticas do PSOE e Más Madrid, enquanto a Área de Cultura da Câmara Municipal atribuiu a mensagem a um "lapsus" sem intencionalidade política.

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A comemoração do 90º aniversário do assassinato de Federico García Lorca provocou uma polêmica política em Madrid. A conta oficial no X das Bibliotecas Públicas Municipais, uma rede dependente da Prefeitura de Madrid, publicou nesta terça-feira uma mensagem na qual evitava mencionar as circunstâncias em que morreu o poeta granadino.

"Neste dia, 18 de agosto de 1936, faleceu Federico García Lorca. Sua poesia e teatro continuam nos lembrando do poder da palavra. A 90 anos de sua morte, consulte o guia de leitura publicado em nosso site", dizia a publicação original.

O uso do verbo "faleceu" para se referir ao fuzilamento de Lorca gerou críticas imediatas do PSOE e Más Madrid. Ambas as formações exigiram à conta municipal que corrigisse a mensagem e mencionasse expressamente que o escritor foi assassinado.

As bibliotecas municipais retificam

A conta das Bibliotecas Públicas Municipais eliminou posteriormente a primeira publicação e divulgou uma nova mensagem na qual já empregava a palavra "assassinato":

"Hoje completam-se 90 anos do assassinato de Federico García Lorca. Sua voz foi silenciada, mas seus versos permanecem. Em nossas bibliotecas públicas continuamos aproximando sua obra do público para que sua palavra continue viva. Lorca, sempre".

A retificação manteve o link para um guia de leitura dedicado ao autor de Bodas de sangue, A casa de Bernarda Alba e Romancero gitano.

A Área de Cultura atribui a mensagem a um "lapsus"

A Área de Cultura da Prefeitura de Madrid interveio após a polêmica para negar que por trás da primeira publicação existisse uma intenção política. "Claro que não havia nenhum tipo de intencionalidade, foi um lapsus. De fato, foi apagado e colocado outro tweet correto", explicou um porta-voz municipal, segundo relata El País.

A Área de Cultura também apontou que outras contas vinculadas ao Consistório, como a própria conta da área e a de Madrid Destino, utilizaram desde o início a palavra "assassinato". Além disso, lembrou que a Prefeitura preparou uma programação cultural para comemorar a Geração de 27 na qual García Lorca figura como um dos autores com maior presença nos palcos municipais.

PSOE e Más Madrid denunciam um "branqueamento" da história

A porta-voz do PSOE na Câmara Municipal de Madrid, Reyes Maroto, exigiu publicamente que a conta corrigisse a primeira mensagem: "O poeta Federico García Lorca não faleceu, mas foi assassinado pelas forças franquistas há hoje 90 anos. Não faltem à verdade, respeitem a memória histórica e corrijam isso o quanto antes".

O vereador socialista Jorge Donarie considerou que a utilização do termo "faleceu" não poderia ser reduzida a uma mera questão de estilo: "Lorca foi assassinado pelos golpistas por ser de esquerda e homossexual. Acreditamos que não é um erro menor nem uma questão de estilo. Isso é branquear e falsear uma parte da nossa história".

Desde Más Madrid, sua porta-voz municipal, Rita Maestre, também reclamou uma retificação imediata: "A Lorca o assassinaram. A Câmara Municipal de Madrid deve respeitar sua memória e a de todas as vítimas".

Embora Maestre tenha dirigido seu reproche político à Câmara Municipal, a mensagem questionada havia sido publicada especificamente pela conta das Bibliotecas Públicas Municipais.

A vereadora de Más Madrid Cuca Sánchez sustentou que falar da morte de Lorca sem nomear o crime supõe ocultar tanto as circunstâncias de seu assassinato quanto a repressão da qual foi vítima. "Não desabou nem teve um acidente. O tiraram de madrugada, o levaram para o monte e o fuzilaram", afirmou.

A conta das Bibliotecas Municipais, reincidente

Não é a primeira vez que a conta das Bibliotecas Públicas Municipais emprega o termo "falecimento" para se referir a García Lorca.

No passado dia 20 de julho, promoveu uma seleção bibliográfica da Biblioteca Pública Municipal José Saramago com uma mensagem que comemorava o "falecimento de Lorca há 90 anos". Em 2024, a mesma conta havia utilizado a expressão mais genérica "morte".

A nova publicação divulgada esta terça-feira corrige essa formulação e reconhece expressamente que Lorca foi assassinado.

90 anos do assassinato de Federico García Lorca

Federico García Lorca foi detido a 16 de agosto de 1936 na casa da família Rosales, em Granada. Pouco depois foi trasladado para as imediações de Víznar e Alfacar, onde foi fuzilado pelos sublevados durante as primeiras semanas da Guerra Civil. O poeta tinha 38 anos. Seus restos continuam sem ser localizados e identificados 90 anos depois de seu assassinato.

A polêmica pela publicação das bibliotecas municipais coincidiu com os mensagens difundidos por dirigentes como Pedro Sánchez, Juanma Moreno e María Jesús Montero para lembrar Lorca e reivindicar seu legado literário.

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