O presidente da Generalitat, Salvador Illa, converteu a defesa da convivência e da diversidade na principal mensagem política do Govern durante os atos institucionais da Diada.
"Na Catalunha somos e queremos continuar sendo um só povo", afirmou Illa em seu discurso institucional. O dirigente socialista sustentou que "ninguém é mais catalão que ninguém" e reclamou que nenhuma organização nem discurso coloque em perigo a convivência.
"Em nossa casa, o ódio não tem lugar", sentenciou.
Embora Illa não tenha mencionado expressamente a Aliança Catalana nem o Vox em seu discurso, a mensagem chega em pleno crescimento eleitoral da extrema direita e depois que a Diada deixou um choque entre seguidores da formação que lidera Sílvia Orriols e coletivos antifascistas.
Catalunha como "um só povo"
Illa defendeu uma identidade catalã aberta, construída em torno da convivência e de um sentimento compartilhado de pertencimento.
O presidente colocou como exemplo a incorporação à sociedade catalã de pessoas nascidas em Andaluzia, Extremadura, Marrocos ou Colômbia. Todas elas, afirmou, são catalãs "de pleno direito", com direitos e também com obrigações.
"Somos todos e todas Catalunha", proclamou o chefe do Govern, que apresentou a diversidade como uma fortaleza e rejeitou as propostas políticas que vinculam a identidade catalã à origem das pessoas.
A apelação a "um só povo" também esteve presente na oferenda floral diante do monumento a Rafael Casanova. O Govern, o Parlament, a Prefeitura de Barcelona e a maioria das formações catalãs reclamaram preservar o caráter aberto e democrático da Catalunha.
A Diada de Sant Boi como referência democrática
O Govern conectou essa mensagem com o 50º aniversário da Diada de Sant Boi de Llobregat de 1976, a primeira grande celebração do Onze de Setembro após a morte de Francisco Franco.
Durante o ato comemorativo realizado na quarta-feira, Illa lembrou que aquela mobilização reuniu correntes políticas diferentes em torno de uma demanda comum de democracia e recuperação do autogoverno.
"O que reforça a Catalunha não é fechar-se", defendeu o presidente da Generalitat. Segundo Illa, o catalanismo plural tomou então consciência de si mesmo sem ficar reduzido a uma só bandeira ou a siglas determinadas.
O chefe do Executivo catalão pediu para recuperar aquela "unidade de país" para enfrentar problemas como a educação, o acesso à habitação, as infraestruturas e o novo sistema de financiamento autonômico.
"Se cada um se limita ao seu próprio interesse, a Catalunha perde. Se todos pensamos e agimos no conjunto do país, a Catalunha ganha", assegurou.
Os incidentes do Fossar marcam o dia
As chamadas institucionais à convivência ocorreram após os incidentes registrados na quinta-feira no Fossar de les Moreres, um dos lugares simbólicos do independentismo.
Os Mossos d'Esquadra desdobraram um cordão policial para separar os seguidores da Aliança Catalana de vários coletivos antifascistas vinculados à esquerda independentista. A tensão terminou com cargas policiais, três detidos e a agressão a um fotoperiodista.
Sílvia Orriols aproveitou sua intervenção para reivindicar uma "Catalunha catalã", enquanto os grupos contrários à Aliança Catalana denunciaram o caráter xenófobo e excludente de suas propostas.