O síndico do PSPV nas Corts, José Muñoz, reiterou que "respeita" que diferentes prefeitos socialistas de municípios da Comunidade Valenciana tenham organizado para esta quarta-feira concentrações de apoio e solidariedade com Ceuta diante da crise migratória, sublinhando que são iniciativas "distantes" das convocadas com um tom "partidário" pela Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP), que é presidida pelo PP.
Ao mesmo tempo, defendeu que não existem "contradições" entre essas iniciativas locais e a decisão da direção do PSPV de se desmarcar do chamado da FEMP, apoiada na Comunidade pela Federação Valenciana de Municípios e Províncias (FVMP). Nessa linha, lembrou que a secretária-geral do PSPV, Diana Morant, já esclareceu que a organização não havia "instado ninguém" a deixar de comparecer a essas concentrações.
Muñoz se mostrou "convencido de que os prefeitos socialistas que hoje estão propondo manifestações de apoio a Ceuta o que vão propor também são soluções para aliviar a crise migratória, especialmente no caso dos menores". Ele apontou isso em declarações à imprensa, ao ser questionado sobre os primeiros edis do PSPV que optaram por atos alternativos às concentrações impulsionadas pela FEMP diante de todos os municípios do país.
O porta-voz parlamentar assegurou que o PSPV "evidentemente vai estar na solução com Ceuta" e não "na confrontação", mas "na cooperação", e insistiu que os prefeitos socialistas que impulsionaram atos "vão estar na solução". "O que eu quero ver é como isso se desenvolve. Hoje vai haver uma concentração, mas o importante é como os municípios vão agir, seja através da FEMP ou de maneira individual na situação de crise migratória em Ceuta", apontou.
Prefeitos socialistas e acolhimento de menores
Nesse contexto, mostrou-se seguro de que os prefeitos de Gandia, Sagunt ou L'Eliana —três conselhos governados pelo PSPV que convocaram concentrações— "vão ser favoráveis a colocar à disposição locais para esses menores não acompanhados que se encontram na cidade de Ceuta". Lembrou que "estão cifrados em aproximadamente 1.800 e, cumprindo com a lei, não podem ser devolvidos a Marrocos se não encontrarem suas famílias".
"Estou convencido de que essas pessoas do Partido Socialista, prefeitos que estão a favor da cooperação para solucionar a crise migratória, também vão ajudar nesse sentido, habilitando os instrumentos necessários para solucionar essa situação", acrescentou Muñoz.
Críticas ao uso partidário da FEMP e FVMP
Mais adiante, advertiu à presidenta da FEMP, María José García-Pelayo, e à da FVMP, Paqui Bartual, ambas do PP, de que essas entidades "não podem ser um órgão de confrontação e utilização partidária, que é o que está fazendo o PP e Vox com a Federação de Municípios e Províncias". Reforçou que "não podem ser em nenhum caso, sobretudo quando temos menores não acompanhados em uma situação de extrema vulnerabilidade que o que precisam são soluções".
Frente a esse cenário, o síndico socialista defendeu que o Governo da Espanha está abordando a crise migratória "de acordo com a legalidade, buscando as filiações das pessoas que estão lá e tendo um tratamento especial para os menores migrantes". Em sua opinião, "isso tem que acabar com o respeito à lei e com a coordenação entre as diferentes instituições. E é isso que pedimos à Federação Espanhola, que não utilize essas instituições para fomentar nem o ódio nem o racismo".
Alerta pelo avanço do discurso de extrema direita
Muñoz alertou ainda do "problema" que representa que "o discurso da extrema direita está se impondo". Ele apontou que "estamos vendo isso com a aceitação do PP desse 'apartheid' introduzido nas diferentes normativas autonômicas", em referência à denominada 'prioridade nacional' exigida pelo Vox e assumida pelos 'populares' na Comunitat Valenciana.
Acrescentou que "estamos vendo isso na rua onde a procuradora geral que luta contra os crimes de ódio está dizendo que a xenofobia e o racismo estão aumentando porque há discursos de ódio fomentados tanto pelo PP quanto pelo Vox com aprovações de critérios que são claramente racistas".
Apelo a Feijóo e à FEMP
No neste marco, reclamou à presidenta da FEMP e ao líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, que "reconsiderem" sua estratégia. A seu entender, "não se pode chegar aos governos a qualquer preço, porque por mais que isso possa sair bem eleitoralmente, a crise de convivência que vai se produzir no conjunto da Espanha e que está se produzindo pela aceitação dos postulados da extrema direita por parte do PP e de Feijóo vai ser um caminho sem retorno".
Paralelamente, o porta-voz socialista nas Les Corts se perguntou se "os mesmos que se manifestam hoje às oito da tarde, os prefeitos do Partido Popular, as concentrações que estão sendo convocadas pelas federações de municípios e províncias, estarão também na solução". E levantou: "Além das concentrações, o que fazemos amanhã?".
Nesse sentido, questionou se "vão ser colocadas à disposição essas camas" para acolher menores migrantes não acompanhados, se "vão ser colocadas à disposição essas vagas" e se "vão ajudar para que Ceuta possa sair dessa situação de anormalidade".
Concluiu lembrando que "porque Ceuta não se vale apenas do apoio de manifestações e de contestações. Ceuta precisa de soluções e as soluções virão do Governo da Espanha, unido com os municípios e também com as comunidades autônomas. E essa é a pergunta que deve ser lançada à presidenta --da FEMP-- e também a Feijóo".