O ministro dos Transportes e Mobilidade Sustentável, Óscar Puente, sublinhou perante os grupos da oposição que reclamam a sua saída pela tragédia ferroviária de Urda (Toledo) que o PSOE, em 2013, não reclamou a demissão de Ana Pastor quando era titular de Fomento e se produziu o acidente de Angrois.
Durante uma conferência de imprensa na sede do Ministério dos Transportes, convocada para oferecer detalhes sobre as causas do sinistro que provocou pelo menos 69 mortos e que se converteu no segundo acidente grave na alta velocidade no que vai de ano, o ministro respondeu às petições de demissão formuladas por formações como PP, Vox e Junts.
Ao ser questionado sobre que posição teria adotado se ele estivesse agora na oposição e o ministro dos Transportes fosse do PP, Puente respondeu: "Eu não sei o que eu teria feito, sei o que fez o meu partido quando o acidente de Angrois, que é não pedir a demissão de Ana Pastor".
Comparação com a gestão do acidente de Angrois
De seguida, Puente criticou que, naquele sinistro com 80 falecidos, Ana Pastor tivesse dado muito poucas explicações públicas, ao contrário das comparecências que, segundo defendeu, ele sim está a realizar nestes dias. "Isto que eu fiz, ela não o fez nem uma vez, nem uma", sublinhou.
Nesta linha, o ministro insistiu em que ele saiu reiteradamente para dar explicações, enquanto que, em 2013, a então ministra do PP limitou-se a comparecer a uma comissão do Congresso, e não ao Plenário, numa intervenção que Puente qualificou de "luva branca".
Para encerrar este assunto, o titular dos Transportes sublinhou que, perante acidentes desta envergadura, é imprescindível ser "decente", respeitar as vítimas e não empregar a sua dor como "carne para canhão política". "Isso é o que fez o meu partido, e o que eu faço é dar a cara, que é o que não fez a ministra Pastor, que teve a desgraça sendo ministra de ter um acidente com 80 mortos", concluiu.