A ministra da Justiça alemã, Stefanie Hubig, propôs reformar a Lei Fundamental, a Constituição do país, como resposta ao recente atentado islamista perpetrado em Berlim contra a marcha do Dia do Orgulho.
"Estou a favor de emendar o artigo 3(3) da Lei Fundamental para incluir a proibição da discriminação por motivos de identidade sexual", disse a política social-democrata em uma entrevista publicada neste sábado pelo jornal 'Rheinische Post'.
Atualmente, a Carta Magna já veta a discriminação ou o tratamento preferencial por motivos como ascendência, idioma, pátria ou origem, assim como por fé, religião ou opiniões políticas. "É lógico proibir também o tratamento desigual por motivos de identidade sexual", manifestou Hubig.
No entanto, a responsável pela Justiça admitiu que ainda é necessário um debate mais profundo dentro da coalizão integrada por conservadores e social-democratas. Hubig apontou que, embora persistam reticências na aliança conservadora CDU/CSU que apoia o chanceler Friedrich Merz, também se percebem avanços positivos.
Após o ataque, o chefe do Governo se dirigiu de forma direta à comunidade LGBTIQ+ e reiterou que o Estado se esforçará para garantir sua segurança. "Uma emenda à Lei Fundamental daria substância a este anúncio", destacou Hubig.
Durante as celebrações do Dia do Orgulho em 25 de julho no parque Tiergarten de Berlim, um jovem de 21 anos atropelou vários pedestres com uma van e posteriormente atacou outras pessoas com um facão.
Uma mulher perdeu a vida e pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, sete delas em estado grave. O autor islamista foi finalmente cercado e abatido pela Polícia no dia seguinte ao atentado.