Pelo menos cinco cidadãos israelenses ficaram feridos, dois deles em estado crítico, em um ataque com armas de fogo registrado no sul da Cisjordânia, segundo informaram os serviços de emergência israelenses. Após o tiroteio, o Exército comunicou a morte de dois assaltantes e a imposição de um "cerco" em torno da cidade de Hebrom.
O serviço de emergências Magen David Adom (Estrela de David Vermelha) apontou em uma mensagem nas redes sociais que suas equipes atenderam a cinco feridos, "incluindo dois em estado crítico". Todos os afetados foram transferidos para os hospitais de Shaarei Zedek e Hadassah Ein Kerem.
Fontes de segurança citadas pelo jornal 'The Times of Israel' indicaram que os supostos atacantes são Mohamad Yaaba e Firas Yaaba, ambos de 27 anos e residentes em Hebrom. Ambos seriam familiares, embora por enquanto não tenha sido esclarecido o vínculo exato entre eles.
O Exército de Israel precisou que suas forças abatiram dois "terroristas" após o ataque, ocorrido em um cruzamento da Rota 35, nas proximidades de Hebrom. Além disso, explicou que as tropas impuseram um "cerco total" à cidade e seu entorno e iniciaram buscas "nas casas dos terroristas e outros suspeitos".
Nesse contexto, o Exército lembrou que na última semana deteve "mais de 70 pessoas procuradas" em diferentes operações na Cisjordânia, entre elas pessoas "afiliadas ao Hamas e à Autoridade Palestina". Durante essas operações teriam sido confiscadas dezenas de armas e quatro artefatos explosivos.
O "fechamento" de Hebrom foi adotado por ordem do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que também instruiu a preparar um "fechamento" total da Cisjordânia a partir desta sexta-feira. Além disso, assegurou que os "terroristas" do Hamas "não têm lugar para se esconder".
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, qualificou o ocorrido de "manhã difícil" e reiterou sua demanda pelo "desmantelamento" da Autoridade Palestina. "Não podemos permitir a existência de um 'Estado terrorista' na Judeia e Samaria", afirmou, em alusão a um futuro Estado palestino e empregando o termo bíblico para a Cisjordânia.
"Devem ser desmantelados. Devemos pôr fim à circulação compartilhada que utilizam tanto os judeus quanto os residentes da Autoridade Palestina. A liberdade de movimento dos residentes da Autoridade Palestina é menos importante do que nosso direito à vida", acrescentou o político ultradireitista em uma mensagem nas redes.
Reações do Hamás e Jihad Islâmica
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamás), que não assumiu formalmente a autoria do tiroteio, descreveu o ataque como "uma operação heroica e qualitativa" que "demonstra a vontade do povo perseverante" e "é uma mensagem clara ao inimigo sionista", segundo o jornal palestino 'Filastin'.
"Nossa resistência continuará e se incrementará em forças e feroz até que a ocupação seja expulsa de nossa terra e nossos lugares sagrados", destacou, sublinhando que a ação nas proximidades de Hebrom "é uma resposta legítima aos crimes e brutais ataques" contra os palestinos.
"Nosso povo, firme e decidido, não se renderá nem cederá. Continuará pelo caminho da resistência e da rejeição à ocupação, à injustiça e à agressão", manifestou o Hamás, que insistiu que os palestinos "não deporão as armas até que cesse a agressão e finalize a ocupação".
Neste sentido, o movimento chamou a população palestina a "se mobilizar plenamente" e "fazer arder a terra sob os pés dos invasores e colonos que semearam o caos na orgulhosa terra da Cisjordânia". "Instamos a todos aqueles que portam armas, assim como à nossa juventude rebelde a direcionar suas balas aos peitos dos ocupantes", acrescentou.
Na mesma linha, as Brigadas Al Quds, braço armado da Jihad Islâmica, instaram os palestinos na Cisjordânia a "incrementar a confrontação e combater de forma direta as forças de ocupação e as bandas de colonos através de todos os meios disponíveis". "O inimigo só entende a linguagem da força", remataram.
O ataque ocorre em um contexto de aumento da violência por parte de colonos e das incursões do Exército israelense na Cisjordânia desde os ataques de 7 de outubro de 2023. Já nos meses anteriores daquele ano, havia sido registrado o maior número de palestinos mortos na Cisjordânia desde a Segunda Intifada, há duas décadas.