Estados Unidos anulou cerca de 900 vistos temporários como parte do pacote de medidas administrativas e migratórias impulsionadas pela Administração Trump para frear o denominado "turismo de parto", depois que o Tribunal Supremo deixou sem efeito a ordem executiva que pretendia suprimir a cidadania por nascimento.
"Já foram revogadas cerca de 900 visas apenas desde que este grupo de trabalho foi iniciado. E isso se soma às medidas que adotamos desde o início desta administração para desmantelar as redes de turismo de parto em todo o mundo", destacou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, em uma entrevista concedida à rede conservadora Newsmax.
O porta-voz se referia assim ao grupo de trabalho criado pelo Departamento de Estado em coordenação estreita com o Departamento de Segurança Nacional (DHS), cujo objetivo é localizar aqueles que utilizam vistos de turista com a intenção de se deslocar para os Estados Unidos para dar à luz em território americano.
"Estamos vendo que isso se tornou um fenômeno global. Essas redes lucrativas tentam vender a cidadania americana", denunciou, ao explicar que esses esquemas fraudulentos comercializam a ideia de um "mundo sem fronteiras" ou de "cidadania automática" enquanto encobrem seu modelo de negócio baseado no "turismo de parto".
As revogações chegam depois que o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou em janeiro uma ordem executiva que definia o "turismo de parto" como uma via para "minar a integridade do sistema migratório" com o objetivo de obter "benefícios migratórios permanentes".
A diretriz do dirigente republicano apontava que essas pessoas conseguem vistos temporários "para estudos, intercâmbios, emprego temporário, turismo e outras atividades transitórias", se instalam no país e, posteriormente, tentam aproveitar a cidadania de seus filhos em seu próprio benefício.
Com esse enfoque, Trump pretende limitar o acesso à cidadania de quem nasce nos Estados Unidos — onde vigora o princípio do 'ius solis', em contraste com o mais habitual na Europa, o 'ius sanguinis' — pouco depois que o Tribunal Supremo invalidou sua tentativa de acabar com a cidadania por direito de nascimento, ao considerar que violava a Décima Quarta Emenda.