O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ordenou nesta terça-feira aos responsáveis pelas academias militares que "cessem imediatamente a nomeação de pessoal civil para cargos com titularidade permanente", ao considerar que este sistema favorece a "incapacidade institucional de se adaptar às necessidades emergentes" e desvia a formação militar para as prioridades dos docentes civis, enfraquecendo a "atenção à letalidade" do Departamento.
Na diretiva assinada nesta terça-feira, Hegseth sublinha que "o propósito fundamental de nossas academias militares é preparar a próxima geração de oficiais para liderar os homens e mulheres da força militar mais poderosa da Terra" e alerta sobre "mecanismos estruturais que permitiram que as normas acadêmicas civis diluíssem nossa atenção na letalidade".
Entre esses fatores, aponta para "a prática de conceder a titularidade permanente ao corpo docente civil". A seu ver, "frequentemente leva ao estancamento acadêmico, à complacência do corpo docente e à incapacidade institucional de se adaptar às necessidades emergentes" e, além disso, "contribui para que o currículo se desvie da missão de formar nossos combatentes para se concentrar nas prioridades de pesquisa dos acadêmicos titulares".
"Para restabelecer o sentido da responsabilidade, ordeno aos secretários dos departamentos militares que deixem de nomear imediatamente empregados civis para cargos de titularidade", registra o documento, que também insta a "elaborar planos de contratação que priorizem a flexibilidade institucional e a contribuição do corpo docente para a missão de combate".
A instrução não retirará a vaga fixa àqueles que já a possuem, mas afetará as futuras contratações na Academia Militar de West Point, em Nova York; na Academia Naval, em Maryland; e na Academia da Força Aérea, em Colorado. Em West Point e em Colorado, entre 25% e 30% do corpo docente é formado por civis, enquanto na Naval a presença é maior: 217 professores civis têm vaga fixa e outros 67 estão em processo de obtê-la, o que representa quase a metade do corpo docente do centro.
Esses docentes civis costumam se encarregar de disciplinas alheias ao núcleo da carreira militar, como inglês e humanidades, que complementam a formação dos cadetes.
Em contraste, Hegseth defendeu em sua audiência de confirmação perante o Congresso que o Pentágono precisa de "mais membros fardados" nas academias para "trazer a sabedoria adquirida durante seu serviço, em vez de ter simplesmente mais professores civis provenientes dessas mesmas universidades de esquerda e tendência 'woke' que depois tentam impor essa mentalidade nas academias militares".