A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, conseguiu negociar um cessar-fogo temporário entre a Rússia e a Ucrânia na cidade ucraniana de Oleshki, no sul do país, com o objetivo de "permitir a entrada de ajuda humanitária e preparar uma evacuação de civis através de um corredor seguro designado" a partir do próximo 29 de outubro, segundo informou a Casa Branca.
Oleshki, sob ocupação russa, tornou-se um emblema da destruição e da fome provocadas pela invasão russa da Ucrânia e pelo conflito armado. Na localidade, dezenas de milhares de habitantes tentam sobreviver praticamente sem alimentos, eletricidade ou medicamentos.
A primeira-dama e seu representante mantiveram contatos diretos com as autoridades russas e ucranianas para concretizar as condições deste cessar-fogo limitado, definindo os aspectos técnicos, os prazos, os procedimentos e as cláusulas do pacto em seu papel de mediadora.
Responsáveis civis não militares de ambos os países cooperarão para visitar os vizinhos em suas residências e avaliar que tipo de ajuda cada um precisa. "Aqueles que desejarem evacuar receberão apoio coordenado e transporte para seu destino preferido. Prevejo que alguns quererão ir para a Rússia e outros para a Ucrânia", explicou a primeira-dama.
Toda a operação será registrada por uma "organização de meios de comunicação americana imparcial para que acompanhe e documente o trabalho das equipes russas e ucranianas no terreno durante todo o processo".
O comissário de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, Dmitro Lubinets, advertiu nesta sexta-feira que a situação na cidade é extrema. "As pessoas não estão apenas sofrendo pela falta de comida e medicamentos: estão morrendo", destacou em uma entrevista à RBC-Ucrânia.
De acordo com a Missão de Observação dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, a cidade não recebe carregamentos de alimentos desde 26 de maio, e o chefe da Administração Militar Regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, denunciou que as forças russas "mantêm como reféns cerca de 2.000 pessoas, das quais quase 50 são crianças, obrigadas a sobreviver sem comida, eletricidade ou água".