O Governo da Nicarágua restituíu esta semana as propriedades a oito dos nove investidores americanos afetados pela recente confiscacão de imóveis de luxo situados nas praias de Tola, no sudoeste do país, após uma ordem executada inicialmente no final de agosto pelas autoridades.
De acordo com as informações divulgadas pela rede Telemundo 51, os afetados foram informados da devolução de seus bens — que teriam passado temporariamente ao patrimônio do Instituto Nicaraguense de Segurança Social (INSS) — por meio de chamadas telefônicas, sem entrega de documentos oficiais nem explicação formal sobre o procedimento de apreensão ou de retorno das propriedades.
Apesar da restituição de oito complexos residenciais, pelo menos um dos investidores continua sem recuperar seus ativos, cujo valor é estimado em cerca de 50 milhões de dólares (aproximadamente 45 milhões de euros). Este investidor denuncia a perda de uma residência de alto padrão, um hotel, uma fazenda e outras propriedades, sem que as autoridades tenham oferecido motivos sobre a continuidade da medida cautelar que pesa sobre seu patrimônio.
O próprio afetado relatou à rede que, no momento em que sua residência foi ocupada, as pessoas que entraram se apresentaram como membros do "Governo da Nicarágua".
"Me avisaram a gente que trabalhava comigo, dizendo que alguém do Governo entrou ali, perguntou pelas chaves e tiraram toda a gente", afirmou o investidor norte-americano, que declarou sob anonimato à rede.
No início de outubro, várias investigações jornalísticas trouxeram à luz a tomada forçada dessas instalações, que foram atribuídas ao INSS e colocadas sob controle estatal dentro de uma onda de expropriações que tem atingido tanto aposentados quanto capital estrangeiro na faixa costeira da Nicarágua.
Portavoces dos afetados alertaram que esta devolução está sendo realizada sem um respaldo jurídico sólido, diante da falta de resoluções formais que garantam de maneira estável a titularidade dos bens a seus proprietários originais.