O co-líder do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Lars Klingbeil, instou neste domingo a revisar "o que podemos melhorar" após o notável avanço do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas últimas eleições regionais.
"Como Governo Federal, devemos analisar por que existe tanta incerteza no país. Há uma forte rejeição a certas medidas que estamos tomando como Governo", destacou o dirigente social-democrata, que também exerce como vice-chanceler e ministro das Finanças no Executivo de coalizão com a União Democrata Cristã (CDU), liderada por Friedrich Merz.
Klingbeil admitiu que "não conseguimos avançar nas reformas tanto quanto deveríamos". Em sua opinião, "os debates que mantivemos em Berlim se limitaram a cortes", indicou em uma entrevista concedida à emissora pública alemã ARD.
"Por isso levo isso muito a sério. Acredito que devemos observar esses resultados com humildade e nos questionar o que podemos fazer de outra maneira, o que podemos melhorar. Pelo menos, essa é a forma como acredito que devemos reagir a um resultado eleitoral assim", sublinhou o co-líder do SPD.
Nesse contexto, ele se deteve na polêmica sobre a eliminação da aposentadoria antecipada aos 63 anos para aqueles que contribuíram por 45 anos. "Queremos que as pensões sejam justas também para as gerações futuras. Mas levo a sério a preocupação das pessoas. E também levo a sério a resistência existente", ressaltou.
Ao mesmo tempo, Klingbeil descartou abrir uma disputa interna no partido, apesar da rejeição frontal a algumas das reformas expressa pela presidenta de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Manuela Schwesig, uma das grandes vencedoras da noite eleitoral graças aos seus bons resultados.
AfD venceu novamente nas eleições do estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, com um apoio de 37% dos votos, enquanto a CDU fica com 5,5% e passa a ser a quinta força política, de acordo com a pesquisa divulgada pela televisão pública ARD.
Em Berlim, o panorama é muito diferente: A Esquerda ocupa o primeiro lugar com 25,3% dos votos, seguida pela CDU (19,1%), AfD (16,2%), Os Verdes (14,5%), SPD (12,1%) e a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW, 5%).