O presidente de Chipre, Nikos Christodoulides, e o dirigente turcochipriota, Tufan Erhurman, decidiram nesta quarta-feira manter encontros, no mínimo, uma vez por semana após uma reunião patrocinada pelas Nações Unidas na zona de separação entre ambas as partes da ilha.
Segundo explicou a ONU em uma nota oficial, "Durante sua reunião, revisaram o progresso em relação ao caminho a seguir conforme definiu em sua recente visita à ilha o secretário-geral das Nações Unidas (António Guterres) e concordaram em intensificar suas reuniões e se reunir uma vez por semana e com maior frequência, conforme as circunstâncias exigirem".
Ambos os líderes reiteraram sua gratidão a Guterres por seus esforços para abordar a questão chipriota e por "seu contínuo apoio e compromisso" com o processo. "Também concordaram em anunciar os membros do Comitê Diretivo do Organismo Consultivo da Sociedade Civil amanhã", acrescentou a organização internacional.
Este passo chega após o secretário-geral comunicar, no final de julho, que havia alcançado um entendimento entre as partes para impulsionar uma nova rodada de conversas com o objetivo de alcançar uma saída para o prolongado conflito em Chipre, dividido desde 1974.
A intenção é organizar uma reunião com a presença dos dois dirigentes chipriotas, os países garantidores --Grécia, Turquia e Reino Unido-- e a enviada especial da ONU, María Ángela Holguín. Guterres chamou a reforçar a confiança mútua como base para essas possíveis negociações.
A ilha permanece dividida desde que em 1974 o Exército turco ocupou o norte --36,2 por cento do território-- após um golpe de Estado promovido pela junta militar que governava a Grécia e diante do temor de uma união de Chipre com esse país.
Em 1983, a comunidade turcochipriota proclamou a República Turca do Norte de Chipre, reconhecida apenas por Ancara, que mantém cerca de 35.000 soldados lá. As numerosas tentativas, sob a égide da ONU, para reunificar este Estado do Mediterrâneo oriental em uma federação bizonal não prosperaram até a data.