Ruanda negocia com a Itália acolher solicitantes de asilo expulsos do país europeu

Ruanda negocia com a Itália um acordo para acolher solicitantes de asilo expulsos, após sua experiência anterior com o Reino Unido e os EUA.

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O Executivo de Ruanda confirmou que mantém conversas com o Governo italiano para fechar um acordo que permita a transferência para seu território de migrantes solicitantes de asilo expulsos da Itália. Roma já selou em 2023 um pacto de características similares com a Albânia e agora explora um modelo parecido com Kigali, que em 2025 chegou a negociar um programa análogo com o Reino Unido, finalmente abandonado pelo gabinete de Keir Starmer após substituir o conservador Rishi Sunak.

"Ainda não há um acordo, acho que continuamos em conversas", destacou a porta-voz do Governo ruandês, Yolande Makolo, ao ser questionada em um programa da emissora Royal FM sobre a possibilidade de um entendimento com Roma.

Makolo apontou que um possível destino para esses solicitantes de asilo deportados seria o "mecanismo de trânsito de emergência" habilitado pelas autoridades na localidade de Gashora, situada perto da capital, Kigali.

A porta-voz descreveu essas instalações como "um lugar seguro para famílias à deriva, que não têm para onde ir, que estão em perigo ou que, por diversas razões, não podem permanecer onde estão agora; um lugar seguro onde receber atendimento médico, capacitação e descanso".

"Além disso, lá são processados os pedidos de asilo e podem retornar ao seu país de origem se for seguro e se assim desejarem, ou serem reassentados em outros países", acrescentou, sublinhando que as duas partes continuam "na fase de conversas a respeito".

Em relação às possíveis críticas que esse tipo de acordos possa suscitar, Makolo admitiu que "sempre haverá críticas, faz parte do processo, mas sabemos que o fazemos pelas razões corretas".

"Queremos ser parte da solução global para um grande problema, e sabemos o que obtemos ao ser parte da solução", insistiu, antes de ressaltar que "a migração impulsionou muitas economias em todo o mundo e queremos tirar o máximo proveito dela".

Ao ser questionada sobre as controvérsias geradas pelo projeto anterior com Londres, a representante do Executivo ruandês defendeu que "o acordo com o Reino Unido não funcionou porque foi cancelado", mas "se baseava em dar um lar às pessoas, não há nada de errado nisso, e em garantir que lhes sejam fornecidos os recursos necessários para que possam se reabilitar, reintegrar e ter um lar permanente em um lugar acolhedor, onde possam contribuir com suas habilidades e recursos para um novo país".

"As lições aprendidas da experiência anterior nos ajudarão a orientar esta na direção correta", sublinhou, ressaltando que Kigali quer se envolver nesse tipo de programas "pela razão correta".

Após enfatizar que se trata de "um grave problema a nível mundial", a porta-voz ressaltou que "os solicitantes de asilo são africanos". "Não queremos que os africanos sofram em países que não os acolhem. Não queremos que empreendam perigosas viagens através do deserto e morram no (mar) Mediterrâneo (...), nem em outros países que não os querem", manifestou.

"O ideal seria que ficassem em casa, tivessem oportunidades e segurança em seus próprios lares. E se não conseguirem isso, talvez possam encontrá-lo em outros países, especialmente na África. (...) Queremos que os jovens africanos sejam felizes vivendo em seu continente e que contribuam para construí-lo juntos", afirmou.

Nos últimos anos, Ruanda se tornou um ator habitual nesse tipo de arranjos, com um acordo vigente com os Estados Unidos e outro frustrado com o Reino Unido, que foi descartado depois que os conservadores perderam em 2024 o número 10 de Downing Street para os trabalhistas de Keir Starmer. A Itália, por sua vez, se posicionou entre os principais promotores desses esquemas no seio da União Europeia, após aprovar em 2023 um convênio similar com a Albânia.

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