O Ministério da Justiça da Rússia decidiu nesta sexta-feira incorporar ao diário independente russo 'Novaya Gazeta', criado em abril de 1993 com o apoio econômico do último presidente da União Soviética, Mijail Gorbatchov, ao seu registro oficial de "agentes estrangeiros".
"Novaya Gazeta divulgou informações falsas sobre decisões e políticas das autoridades públicas russas, assim como sobre o sistema eleitoral da Federação. Oposição à operação militar especial na Ucrânia, participou da divulgação de mensagens e materiais de agentes estrangeiros ao público em geral e colabora com agentes estrangeiros", destacou em um comunicado.
Na mesma atualização da lista, as autoridades também incorporaram o cientista e apresentador de televisão Sergei Leibgrad, o editor Felix Sandalov, a reconhecida bióloga computacional e matemática Tatiana Tatarinova e a revista 'Historical Expertise'.
Esse movimento ocorre após a Novaya Gazeta --cujo editor-chefe, Dmitri Muratov, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2021 junto com a jornalista filipina Maria Ressa por seu trabalho em favor da liberdade de expressão-- ter paralisado suas publicações em março de 2022 após os avisos oficiais por não figurar no registro de agentes estrangeiros.
Mais tarde, parte da redação impulsionou um novo projeto com sede na Europa. Em 2023, as autoridades qualificaram as atividades da Novaya Gazeta Europa como indesejáveis em território russo e, naquele mesmo ano, incluíram também Muratov na lista de agentes estrangeiros, o que levou a que Sergei Sokolov assumisse a direção do jornal.