Síria desmente a Israel e nega planos para uma base ou tropas turcas no aeródromo bombardeado

Síria rejeita a justificativa israelense do ataque a Abú al Duhur e nega planos para uma base ou presença militar turca no aeródromo.

3 minutos

fotonoticia 20260820053313 1920

fotonoticia 20260820053313 1920

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

3 minutos

Mais lido

O ministro das Relações Exteriores sírio, Asad al Shaibani, rejeitou de plano a versão oferecida pelo Governo israelense para justificar o bombardeio contra a base aérea de Abú al Duhur, no norte do país. Segundo destacou, frente ao que foi sustentado pelo escritório do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "não havia intenção de estabelecer ali uma base turca, nem uma presença militar turca".

"Não havia intenção de estabelecer ali uma base turca, nem uma presença militar turca permanente, nem de desplegar forças turcas no local", reiterou o chefe da diplomacia síria em declarações por escrito enviadas ao portal americano Axios, nas quais insiste que não existe "justificação legítima" alguma para o ataque.

Al Shaibani explicou que os trabalhos que estavam sendo realizados na base de Abu al-Duhur "se limitavam à reabilitação do aeródromo e suas instalações, danificadas durante a guerra", com o objetivo de devolvê-la ao serviço da Força Aérea Síria. "Não houve nenhum despliegue militar turco na base que justificasse tal interpretação", ressaltou, ao mesmo tempo em que descreveu as instalações como praticamente vazias e ainda em fase de recondicionamento.

O ministro admitiu que dias antes do bombardeio ocorreu uma visita de oficiais turcos à área, mas precisou que se enquadrava na "cooperação militar em curso nas áreas de treinamento e intercâmbio de conhecimentos especializados", sem que implicasse o estabelecimento de uma base estrangeira.

Nesse contexto, lembrou que "a Síria está trabalhando atualmente para reconstruir suas instituições militares e civis e desenvolver suas capacidades", pelo que recorre a programas de formação e colaboração com diferentes parceiros. "Portanto, se beneficia da cooperação e dos programas de treinamento com vários países, não apenas com a Turquia. Houve e continua uma cooperação semelhante com a Arábia Saudita, Jordânia, Catar e Rússia", indicou, antes de defender que "a Síria é um Estado soberano e tem o direito de estabelecer relações de cooperação e aliança com qualquer país, incluindo a Turquia".

Al Shaibani acrescentou que, antes do ataque israelense, Damasco manteve contatos tanto com o Governo israelense quanto com a Administração americana, com a qual voltou a dialogar após o bombardeio, e que "a natureza da atividade na base era conhecida". "Não havia base para interpretar os trabalhos de reabilitação como o estabelecimento de uma base militar turca em território sírio", enfatizou.

Quanto ao diálogo com Washington, o ministro apontou que, após a ofensiva, as autoridades sírias se dirigiram aos Estados Unidos e a outros países para apresentar protestos formais e "contenção das repercussões do ataque e evitar que se repita". "Queríamos esclarecer a posição síria e ressaltar a necessidade de respeitar a soberania da Síria e não transformar seu território em um campo de batalha para acertos de contas ou expandir o conflito regional", explicou.

Al Shaibani reiterou que Damasco aposta em "uma desescalada, porque a contínua tensão militar na região não beneficia nenhuma parte e não contribui para a estabilidade que a Síria e a região em geral precisam". Nessa linha, instou o Executivo de Benjamin Netanyahu a "reevaluar sua política em relação à Síria e reconhecer que as contínuas operações militares e ataques não proporcionarão segurança a longo prazo, mas aumentarão a instabilidade".

O responsável sírio também respondeu ao escritório do primeiro-ministro israelense, que havia afirmado que "Israel e Síria concordaram em manter o statu quo em matéria de segurança, que a Síria estava prestes a romper ao permitir o desdobramento de tropas turcas em uma base aérea próxima a Alepo". Frente a essa acusação, o ministro assegurou que "fizemos um progresso significativo e chegamos a uma fórmula para o acordo de segurança que havia sido acordado no papel. No entanto, Israel posteriormente se retratou de seus compromissos e a fórmula acordada não foi implementada no terreno".

A seguir, ele reprochou que, da mesma forma que Damasco "leva em conta as preocupações de segurança de Israel, Israel também deve levar em conta as preocupações de segurança da Síria e abordar seriamente nossas inquietações em relação à sua política expansionista e suas operações militares dentro do território sírio".

Al Shaibani concluiu que, com uma "autêntica vontade política", seria possível retomar as conversas e fechar acordos "que garantam a segurança de ambas as partes, respeitem a soberania da Síria e contribuam para uma maior estabilidade na região, em vez de perpetuar o ciclo de escalada".

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?