O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um memorando com o qual prorroga por um ano adicional o embargo vigente contra Cuba, de modo que se manterá em vigor até setembro de 2027, ao considerar que esta medida responde ao "interesse nacional" do país.
O emaranhado de restrições econômicas, comerciais e financeiras sobre Havana se ampara na Lei de Comércio com o Inimigo dos Estados Unidos, aprovada em 1917. No entanto, o cerco sobre a ilha começou a ser aplicado na prática durante o mandato do 34.º presidente americano, Dwight Eisenhower, no início da década de 1960.
Embora o texto oficial, ao qual teve acesso a Europa Press, tenha sido divulgado nesta terça-feira, a assinatura do documento ocorreu no dia 20 de agosto passado, ficando assim fixada a extensão do embargo até 14 de setembro de 2027.
A resposta de Cuba: uma política "genocida" para "asfixiar" o país
Do governo cubano reagiu o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, que repudiou "nos termos mais enérgicos" a prorrogação, ao entender que demonstra que Washington "persiste em seu propósito" de "asfixiar" a nação "inteira".
"Cuba condena nos termos mais enérgicos a extensão por mais um ano do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos Estados Unidos, uma política genocida que se mantém contra nosso povo por mais de seis décadas", destacou o ministro em uma mensagem divulgada nas redes sociais.
Para o chefe da diplomacia cubana, esta decisão da Casa Branca "não é um ato administrativo menor" mas "a confirmação" de que os Estados Unidos "persistem em seu propósito de asfixiar uma nação inteira" em, denunciou, "o momento mais cruel da ofensiva americana contra Cuba em anos recentes".
As pressões de Washington sobre a ilha se intensificaram especialmente durante o último mandato de Donald Trump, com sanções dirigidas tanto contra o atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, quanto contra seu antecessor, Raúl Castro.
Em relação ao embargo, Díaz-Canel se perguntou estes dias por que os Estados Unidos mantêm o bloqueio se os cubanos são "tão tolos, incapazes, ineficientes" e poderiam "cair" por si mesmos. "Eles sabem que Cuba, bloqueada, conseguiu resolver problemas que não estão resolvidos hoje nos Estados Unidos em matéria de justiça social", afirmou o dirigente em uma entrevista ao jornal brasileiro 'Folha'.
Na mesma conversa, o presidente cubano sublinhou que o país não está "à beira de um colapso", mas "em uma situação complexa, mas com uma criatividade enorme que se soma à capacidade heroica de resistência do povo cubano".
"Há apagões, mas nenhum apagão apagou a esperança do povo cubano. Há carências, mas nenhuma carência fraturou a capacidade de crescer", reiterou Díaz-Canel, reivindicando a "capacidade de funcionar" da ilha apesar da crise que atravessa.