Zelenski avisa que celebrar eleições agora faria colapsar a Ucrânia

Zelenski rejeita convocar eleições em plena guerra com a Rússia ao considerar que provocariam uma fratura interna e colocariam em risco a estabilidade da Ucrânia.

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O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, reiterou sua rejeição frontal a convocar eleições enquanto a guerra com a Rússia continuar, ao considerar que umas eleições nas atuais circunstâncias apenas gerariam uma fratura interna e, em última instância, um "tsunami" político que arrasaria com o Estado e com as tentativas de manter a coesão nacional.

O dirigente ucraniano já se pronunciou sobre essa questão há aproximadamente um ano, mas o debate voltou à cena pública depois que o ex-ministro da Defesa, Mijailo Fedorov, uma figura com grande influência, sobretudo entre os jovens, se juntou às vozes que clamam por ir às urnas. Fedorov foi destituído por Zelenski no mês passado de julho, uma decisão que desencadeou várias mobilizações cidadãs contra ele.

Em relação a essas protestas, Zelenski sublinhou neste domingo que na Ucrânia continua plenamente garantido o direito à manifestação. "O Estado, na minha opinião, demonstrou que essa liberdade existe", assinalou, aludindo precisamente a essas marchas.

"Mas, agora mesmo, não podemos dividir o país em facções", insistiu o chefe do Estado, segundo declarações coletadas pela Ukrinform. "Umas eleições, agora mesmo, representariam um tsunami que dividiria a Ucrânia. Minha estratégia é dupla: pôr fim à guerra e preservar um Estado independente e soberano. E estou implementando isso", rematou.

Zelenski apontou que, por enquanto, não tem sobre a mesa nenhuma proposta concreta, nem do interior nem do exterior, que detalhe como organizar umas eleições de forma segura, tendo em conta que "a Rússia nem sequer considera" um cessar-fogo. "O essencial agora mesmo é preservar a Ucrânia e acredito que não podemos separar a sociedade dos soldados", afirmou.

O presidente só contempla a realização de eleições em um cenário extraordinário: "Sem ataques nem bombardeios, onde pudessem votar os militares, onde pudesse votar a gente na frente e os milhões de cidadãos que foram embora fugindo da guerra, para o exterior. Nesse caso poderíamos tratar do assunto", explicou. Até que essas condições não sejam dadas, descarta a convocação de eleições.

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