Almeida reprocha a Sánchez sua "falta total de empatia" com Ceuta e tacha de "bola de ensaio" suas alusões ao Rei

Almeida acusa a Sánchez de desinteressar-se de Ceuta em plena crise e vê um "globo sonda" em suas palavras sobre uma possível visita do Rei.

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O prefeito de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, atacou nesta terça-feira o presidente do Governo, Pedro Sánchez, a quem acusa de uma "falta total e absoluta de empatia" em relação aos ceutíes em plena crise que vive a cidade autônoma, e descreveu como um "balão de ensaio" suas manifestações sobre o rei Felipe VI.

Almeida respondeu assim aos jornalistas após a reunião da equipe de Governo municipal que marca o início do novo curso político, na qual analisou tanto a atuação do Executivo central quanto as palavras de Sánchez na "Cadena Ser", onde o presidente descartou a implicação do Marrocos na entrada massiva de migrantes em Ceuta.

"Da entrevista podem-se tirar muitas conclusões, mas há uma que não deixa de me surpreender: a falta de empatia total e absoluta de Pedro Sánchez e sua incapacidade emocional para se colocar no lugar dos ceutíes", apontou, criticando o chefe do Executivo por não dedicar "uma única palavra" aos habitantes da cidade autônoma.

"Parece mentira que alguém tenha tão pouca capacidade emocional para entender que suas obrigações como presidente do Governo não são incompatíveis com se colocar no lugar de quem está vivendo essa situação", insistiu o prefeito madrilenho.

O prefeito ressaltou que o silêncio de Sánchez em relação aos ceutíes "não vai apagar o desastre de gestão do Governo da Espanha" no último mês. "Custa aceitar que um presidente do Governo tenha tão pouca empatia com os ceutíes", reiterou.

"Seu direito são as férias; sua obrigação, estar em Ceuta"

Quanto à polêmica sobre o descanso estival de Sánchez, Almeida admitiu que o presidente "tem direito a férias", mas destacou que esse direito deve ser harmonizado com as exigências do cargo.

"Ele tem direito a férias, mas sua obrigação é estar em Ceuta também. Seu direito são as férias e sua obrigação, estar em Ceuta", resumiu, ao considerar que o presidente deveria ter compatibilizado seu descanso com uma maior implicação na crise.

A seu entender, "passar um mês em La Mareta" não impedia manter uma "presença ativa" na busca de saídas para a situação. "Está muito bem que reivindique seu direito às férias, que qualquer um reconhece, mas também teria sido bom que assumisse suas obrigações como presidente do Governo", acrescentou.

"Outro balão de ensaio" sobre Felipe VI

Em relação às palavras de Sánchez sobre Felipe VI, nas quais assegurou ver "argumentos e razões suficientes" para que o Rei viaje a Ceuta e Melilla, cidades que não visita desde sua proclamação em 2014, Almeida desvalorizou esse anúncio e o enquadrou como "outro balão de ensaio" do presidente para eludir suas responsabilidades.

"A culpa é da Rússia, de Israel, da ultradireita mundial, de Elon Musk, das redes sociais e agora pretende apontar para o rei Felipe VI", ironizou, antes de ressaltar que Sánchez "sabe o dano" que essa tática provoca na figura do monarca e que os cidadãos "não estão comprando isso".

"Se os espanhóis não compraram que a culpa fosse de Israel, da Rússia, da ultradireita mundial ou de Elon Musk, também não vão comprar que isso seja culpa do rei Felipe VI", rematou o prefeito madrileno.

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