O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, reiterou nesta terça-feira que "não houve nenhum relatório" que antecipasse uma chegada "sem precedentes" de migrantes a Ceuta no dia 30 de julho passado.
Suas palavras chegam depois que a ministra da Defesa, Margarita Robles, defendeu na Comissão de Defesa do Congresso que os agentes do Centro Nacional de Inteligência (CNI) cumpriram suas funções nos dias anteriores à entrada massiva em Ceuta, acompanharam de perto a evolução da situação e transmitiram suas análises às Forças e Corpos de Segurança e à Delegação do Governo.
Na coletiva de imprensa posterior ao Conselho de Ministros, e questionado se mantinha sua posição após a intervenção de Robles, Grande-Marlaska reiterou que não teve acesso a "nenhum aviso que alertasse de uma entrada dessas dimensões".
O responsável pelo Interior ressaltou que "não há nenhum relatório dessas características" e sublinhou que, se houvesse uma previsão semelhante à ocorrida em maio de 2021, essa informação teria sido remetida "às mais altas instâncias" para poder adotar as medidas "extraordinárias" que fossem consideradas oportunas.
"Se houvesse uma previsão, melhor dizendo, de algo parecido ao de 2021, alguém acredita que não teria sido elevado às mais altas instâncias para tomar medidas extraordinárias?", questionou o ministro, apelando ao "senso comum" e aos "dados objetivos" para sustentar que não ocorreu um erro por parte dos serviços de informação. Ao mesmo tempo, ressaltou que não pretende entrar em "maiores questões" sobre os detalhes da informação manejada em relação à pressão migratória.
Grande-Marlaska reivindica os serviços de informação
Em sua intervenção, o ministro aproveitou para respaldar novamente o trabalho dos serviços de informação espanhóis, ressaltando sua "alta profissionalidade".
"Reconhecimento, isso quero deixar claro, ao trabalho de todos os serviços de informação, todos eles, o conjunto deles", afirmou, insistindo que realizaram um trabalho "extraordinário" tanto neste episódio quanto em outros.
Adicionou que esses serviços atuaram "em cumprimento estrito da lei e se empenhando a fundo", pelo que se mostrou convencido de que, neste caso, "atuaram perfeitamente".
Robles defende que o CNI cumpriu com sua missão
As manifestações de Grande-Marlaska ocorrem poucas horas depois de que Margarita Robles defendeu em sede parlamentar a atuação do CNI e dos serviços de informação militares nos dias anteriores à entrada massiva em Ceuta.
A titular de Defesa explicou diante da Comissão de Defesa que os agentes do CNI destinados na cidade autônoma realizam um acompanhamento "diário" da situação na área sob diferentes ângulos, incluindo as relações com os países vizinhos, o contexto geopolítico na flanco sul e a evolução da migração irregular.
Robles assegurou que durante esses dias os serviços de informação "realizaram a tarefa que competencialmente lhes era e é exigível" e que essa informação foi compartilhada e analisada junto às Forças e Corpos de Segurança do Estado e ao pessoal da Delegação do Governo.
Investigação interna pela atuação policial no Barcelona-Elche
Em outra ordem de assuntos, Grande-Marlaska confirmou que a Polícia Nacional abriu de ofício uma investigação interna para esclarecer a atuação dos agentes nas proximidades do estádio Martínez Valero de Elche (Alicante), onde foi preso um seguidor do FC Barcelona que portava uma estelada.
Após as críticas do clube blaugrana, que denunciou um "uso desproporcional da força" contra sócios e torcedores, o ministro precisou que foi iniciada essa investigação diante de fatos em que "pode haver" existido um uso excessivo da força.
Nessa linha, destacou que tanto o Ministério do Interior quanto a própria Polícia Nacional são "os mais interessados" em assegurar que qualquer intervenção policial seja "proporcional, legal" e respeite "escrupulosamente" os direitos humanos.
Questionado sobre uma possível comparecência a pedido de ERC para dar explicações sobre o ocorrido, Grande-Marlaska assegurou que comparecerá ao Parlamento "as vezes que se solicitar" e se acordar sua presença. "Bem diante do Congresso, bem diante do Senado, como não poderia ser de outro modo", concluiu.