Terceiro adiamento do julgamento nos EUA contra o suspeito do atentado de Lockerbie de 1988

A Justiça dos EUA adia pela terceira vez e sem nova data o julgamento contra o suposto terceiro conspirador do atentado de Lockerbie de 1988.

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Um tribunal dos Estados Unidos decidiu adiar novamente, pela terceira vez, o início do julgamento contra um cidadão líbio acusado de estar implicado no atentado de 1988 contra um avião da Pan Am com quase 260 pessoas a bordo quando sobrevoava a localidade escocesa de Lockerbie, depois que nos últimos dias foram localizadas "novas provas".

Um porta-voz dos tribunais do distrito de Columbia indicou à Europa Press que a audiência fica adiada sem nova data "devido à descoberta de novas provas que não eram conhecidas até há pouco por nenhuma das partes", sem oferecer detalhes sobre o conteúdo desse material.

O porta-voz acrescentou que "não é incomum que os julgamentos sejam prorrogados, e o Governo confia que este caso seguirá adiante com sucesso na nova data do julgamento", embora não tenha concretizado possíveis calendários para retomar o processo contra o acusado, Abú Agila Mohamed Masud Jeir al Marimi.

A defesa de Al Marimi, que nega ter montado a bomba utilizada no atentado de 21 de dezembro de 1988 —no qual faleceram todos os ocupantes da aeronave—, sustenta que essas provas apareceram em 21 de agosto, segundo informou a rede britânica BBC.

Al Marimi é apontado como o "terceiro conspirador" do atentado mais mortífero cometido no Reino Unido, após o único condenado pelo ataque, o falecido ex-agente de Inteligência líbio Abdelbaset Alí Mohamed al Megrahi, e Lamin Jalifa Fhima, absolvido em 2001. O acusado foi colocado à disposição das autoridades americanas em dezembro de 2022.

Washington solicitou em dezembro de 2020 a entrega de Al Marimi para que respondesse pela morte de 169 cidadãos americanos que viajavam no voo, e sustenta que o processado trabalhou para a Inteligência líbia, inclusive como especialista técnico na fabricação de artefatos explosivos desde aproximadamente 1973 até 2011.

O Governo dos Estados Unidos afirma que Al Marimi reconheceu sua implicação no atentado junto a Al Megrahi e Fhima durante um interrogatório em um centro de detenção líbio em 2012, uma confissão que constitui agora um dos eixos do caso. O acusado, no entanto, mantém que essa declaração é falsa e que foi obtida sob coação.

O julgamento deveria começar em maio de 2025, mas já foi adiado em três ocasiões, incluindo esta última. O atentado segue sob uma investigação conjunta das autoridades dos Estados Unidos e da Escócia há mais de 35 anos.

Laura Buchan, chefe da equipe de investigação de Lockerbie no Escritório da Coroa, admitiu que este novo atraso poderia ser "decepcionante" para os familiares das vítimas, embora tenha ressaltado que "os promotores e policiais escoceses continuam totalmente comprometidos em apoiar a busca pela justiça".

O voo 103 da Pan Am decolou do aeroporto londrino de Heathrow com destino a Nova Iorque. O atentado causou 270 mortos —259 passageiros e tripulantes, além de onze pessoas em terra atingidas pelos destroços do avião—.

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