Ceuta devolve ao foco a reforma do CNI do PNV, bloqueada desde há dois anos

A proposição para reforçar os controles político, parlamentar e judicial do serviço de inteligência continua pendente no Congresso enquanto PP, Sumar e Vox reclamam explicações sobre os avisos prévios à crise de Ceuta.

3 minutos

La portavoz del PNV en el Congreso, Maribel Vaquero, con los diputados Mikel Legarda (i) y Joseba Agirretxea en una sesión plenaria Eduardo Parra - Europa Press

La portavoz del PNV en el Congreso, Maribel Vaquero, con los diputados Mikel Legarda (i) y Joseba Agirretxea en una sesión plenaria Eduardo Parra - Europa Press

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

Última atualização

3 minutos

Mais lido

A crise de Ceuta devolveu ao Centro Nacional de Inteligência (CNI) o centro da atividade parlamentar enquanto permanece bloqueada no Congresso uma reforma que pretende modificar alguns dos pilares do seu funcionamento. A iniciativa do PNV, apresentada originalmente ao calor do caso Pegasus, propõe reformar as duas normas que há mais de duas décadas constituem a estrutura jurídica do serviço de inteligência: a Lei 11/2002, reguladora do CNI, e a Lei Orgânica 2/2002, que estabelece seu controle judicial prévio.

O Congresso aceitou tramitar a proposta em setembro de 2024 por 177 votos a favor e 170 contra. Quase dois anos depois, o texto permanece na Comissão de Defesa e continua acumulando prorrogações do prazo de apresentação de emendas.

O que propõe a reforma

Uma das mudanças centrais afeta a responsabilidade política sobre o CNI. O Grupo Vasco propõe que o máximo responsável do Centro seja nomeado e destituído diretamente pelo presidente do Governo.

O PNV pretende assim estabelecer uma vinculação mais direta entre a direção dos serviços de inteligência e o chefe do Executivo. Durante a tomada em consideração, Mikel Legarda resumiu a filosofia da modificação da tribuna: "Em um Estado democrático, o presidente do Governo não pode desentender-se como dogma das decisões operativas dos serviços secretos".

A proposta gerou um dos principais choques durante aquele debate. Vox considerou "um despropósito monumental" atribuir ao presidente essa competência exclusiva e advertiu que poderia comprometer o caráter "profissional, técnico e independente" que, a seu ver, deve preservar o Centro.

O segundo pilar da reforma passa por reforçar o controle parlamentar sobre as atividades do CNI. A proposição coloca o foco na Comissão de controle dos créditos destinados a gastos reservados, conhecida habitualmente como Comissão de Gastos Reservados ou de Segredos Oficiais, perante a qual comparece a direção do Centro.

Os nacionalistas querem que seus integrantes possam conhecer com menos restrições determinados aspectos operativos, atuações e meios utilizados pelos serviços de inteligência quando estes adquirem uma especial relevância pública.

Trata-se de buscar, segundo defendeu Legarda há mais de um ano, um equilíbrio entre duas exigências. "Compartilhamos que a discrição e a reserva são princípios da atuação dos serviços de inteligência", afirmou durante o debate, mas esses princípios devem compatibilizar-se com "a proteção dos direitos fundamentais e a existência de controles externos e internos".

Mais detalhes

O terceiro grande mudança afeta ao controle judicial prévio do CNI. Atualmente, determinadas atuações que afetam direitos fundamentais precisam de autorização judicial prévia de um magistrado do Tribunal Supremo. A proposição propõe substituir este sistema por um órgão colegiado formado por três magistrados, que deveria decidir por unanimidade sobre a concessão das autorizações e conhecer previamente os meios que pretende empregar o Centro.

Este ponto também não conseguiu o consenso dos grupos durante seu primeiro debate. O PP questionou se a intervenção de três magistrados poderia reduzir a eficácia do funcionamento do serviço, enquanto outras formações que apoiaram a tramitação reclamaram controles ainda mais intensos.

Legislação antiquada?

Por trás da iniciativa existe também uma questão temporal. As duas normas que o PNV quer modificar foram aprovadas em 2002, durante o Governo de José María Aznar, e desde então o cenário tecnológico e geopolítico em que operam os serviços de inteligência mudou profundamente. O próprio Pedro Sánchez anunciou em maio de 2022 sua intenção de atualizar a normativa do CNI após a crise provocada pelo Pegasus e avançar também para uma nova regulação da informação classificada.

A tomada em consideração avançou com o apoio de PSOE, Sumar, ERC, Junts, EH Bildu, PNV, Podemos, BNG e Coalición Canaria. PP, Vox e UPN votaram contra. A proposição foi remetida à Comissão de Defesa, mas continua em fase de apresentação de emendas. O prazo foi prorrogado sucessivamente e, até hoje, está aberto até o 16 de setembro.

A norma permaneceu desde então no "congelador" como advertiu o popular Rafael Hernando: "Todos sabemos onde ficam as proposições de lei que são tomadas em consideração (...): na geladeira. Neste caso, no congelador, senhor Legarda", afirmou.

Ceuta volta a abrir o debate

A crise de Ceuta abriu agora uma frente diferente daquela que deu origem à reforma do PNV. O que está em questão é o sistema de alertas do CNI: como se transmite a informação que obtém o Centro, a quais órgãos da Administração se comunica e que percurso devem seguir os avisos quando podem afetar à Segurança Nacional. As comunicações desclassificadas sobre os dias anteriores à entrada massiva na Cidade Autónoma levaram vários grupos a reclamar explicações sobre o funcionamento dessa cadeia de informação.

Entre as iniciativas registradas figura o pedido de convocar a Comissão de Segredos Oficiais, para que a diretora do CNI dê conta dos avisos prévios e da informação transmitida ao Governo.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?