A porta-voz de Junts no Congresso, Míriam Nogueras, avançou que seu grupo voltará a registrar nesta quarta-feira na Câmara Baixa a proposição de lei para transferir à Generalitat as competências em matéria de imigração, e que nesta ocasião o fará sem parceiros parlamentares.
Em uma entrevista na "Catalunya Ràdio" coletada pela Europa Press, defendeu que "Catalunha precisa de forma urgente poder tomar as próprias decisões e poder ser quem responde perante os cidadãos pelas decisões que toma o Governo da Catalunha e não pelas decisões que são tomadas a 600 quilômetros".
A iniciativa recupera o texto que na época Junts conseguiu consensuar com o PSOE, mas introduz mudanças em relação àquela primeira versão que se deparou com a rejeição de Podemos, centrado na exposição de motivos. Nogueras precisou que o articulado é "exatamente o mesmo", enquanto que foi eliminada a parte que gerava fricções.
O projeto mantém que a Catalunha assuma a autorização da residência temporária de pessoas migrantes e das estadas de longa duração, assim como a expedição do documento de identidade para estrangeiros. Também contempla que os Mossos d'Esquadra compartilhem com a Polícia Nacional e a Guarda Civil as tarefas de segurança em portos e aeroportos situados em território catalão.
A exposição de motivos é suprimida com o objetivo de evitar um novo veto de Podemos, que qualificou de racista a proposta inicial de Junts. Segundo Nogueras, "agora mesmo não há nenhuma desculpa para não votar que sim, porque essa parte que eles em seu momento disseram que os incomodava já não está".
A dirigente de Junts não quis esclarecer se existe um acordo prévio com o PSOE para impulsionar esta proposição, embora tenha sublinhado que "este é um dos temas que fica pendente e eles sabem disso", e apontou que com Podemos não mantiveram contatos a respeito.
Defendeu que agem por responsabilidade diante da inação dos executivos central e catalão: "Como nós acreditamos que a cidadania não pode esperar mais e que nossa responsabilidade é tomar decisões frente às não decisões que não estão tomando nem o Govern nem o Governo do Partido Socialista, fazemos isso nós".
Nogueras convocou o Podemos a definir sua posição e apontou que já "verá" se se mantém alinhado com o PP e Vox "votando contra esta delegação de competências por Cataluña ou se está disposto a votar a favor". A seu ver, "diante de uma situação internacional complexa, com movimentos migratórios cada vez mais importantes (...), o que estamos convencidos de que não podemos continuar fazendo é improvisar".
Sánchez e a crise em Ceuta
Em relação ao anúncio do presidente do Governo, Pedro Sánchez, de comparecer perante o Congresso pela crise em Ceuta, Nogueras considera que chega tarde e criticou que "os socialistas sempre chegam tarde, mas chegam tarde em tudo".
Ele criticou a atitude do chefe do Executivo central: "Todo mundo começa a estar muito cansado de tanta palabraria, de tanto vitrine, de tanto barro, porque no final tudo isso é barro", afirmou, criticando que Sánchez se sinta confortável, disse, comparecendo esporadicamente "fazendo parecer que nada acontece".
Críticas pela atuação policial no Elche-Barça
Nogueras também avaliou a intervenção policial anterior ao jogo entre o Elche e o Barça, na qual foram apreendidas bandeiras independentistas e um menor de idade foi detido, e a qualificou de "absolutamente inaceitável".
Ele censurou o silêncio do presidente da Generalitat, Salvador Illa, e de Sánchez diante desses fatos: "Enquanto o Governo se enche a boca na defesa dos direitos humanos e dos menores, parece que se o menor é catalão e leva uma estelada, esses direitos desaparecem, como também desapareceram o senhor Illa e o próprio Sánchez".
Além disso, ele rejeitou que se preste homenagem nesta quinta-feira no Camp Nou aos jogadores campeões do mundo: "Não só não deveria ser feito um reconhecimento à seleção espanhola, quando nós temos nossa seleção catalã e não pode jogar porque o Governo não permite, mas deveria ser feito um reconhecimento a pessoas corajosas e sobretudo a este garoto que sofreu essa agressão".