O Conselho de Ministros deu luz verde nesta terça-feira à nomeação de Antonio González-Zavala como novo embaixador da Espanha na Síria, cargo que permanecia sem cobertura desde 2012 em razão da guerra civil desencadeada pelo regime de Bashar al Assad. Com esta designação, o Executivo considera encerrado o processo de normalização dos vínculos diplomáticos com o governo liderado por Ahmed al Shara, antigo dirigente da ramificação da Al Qaeda em território sírio.
Na prática, o Governo se limita agora a elevar de categoria o cargo que o diplomata desempenhava desde dezembro de 2024, data em que foi designado enviado especial para a Síria após a ofensiva relâmpago dirigida por Hayat Tahrir al Sham, o grupo liderado por Al Shara --conhecido então pelo seu nome de guerra Mohamed al Golani-- que acabou derrubando Al Assad.
Tal como explicaram há algumas semanas à Europa Press fontes do Ministério de Assuntos Exteriores, ao serem consultadas sobre se se avaliava promovê-lo a embaixador, sua designação como enviado especial tinha como objetivo "reforçar a Embaixada na nova fase" aberta na Síria e facilitar "uma maior interlocução com o governo de transição".
Ao ser questionado o departamento que é liderado por José Manuel Albares sobre os requisitos para voltar a contar com um embaixador em Damasco, as mesmas fontes sublinharam que a plena reanimação das relações diplomáticas dependia dos progressos do processo de transição no país, insistindo que o compromisso do Executivo com "uma transição política, pacífica e inclusiva é absoluto".
A medida do Governo, aprovada pelo Conselho de Ministros a proposta do titular de Exteriores, chega após os Estados Unidos terem excluído a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo e terem retirado igualmente Hayat Tahrir al Sham do registro de organizações terroristas.
Perfil e carreira de Antonio González-Zavala
Funcionário da Carreira Diplomática desde 2002, González-Zavala é licenciado em Direito e desenvolveu boa parte de sua trajetória em âmbitos ligados à segurança e às políticas de cooperação ao desenvolvimento. Entre outros destinos, exerceu como embaixador na Guiné-Bissau e como embaixador em missão especial para o Sahel.
Na Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) esteve à frente do Departamento de Cooperação com o Mundo Árabe e Ásia. Assim, trabalhou como conselheiro político na Embaixada no México e ocupou a segunda chefia nas legacões diplomáticas no Senegal, Líbia, Iraque e Afeganistão. Também foi cônsul geral em Quito e Lagos, além de cônsul geral em funções em Argel e Jerusalém.
Desde 2012, a Embaixada espanhola em Damasco estava dirigida por um encarregado de negócios, após a saída do país do último embaixador, Julio Albi. Durante sua visita à capital síria em janeiro de 2025, o ministro de Assuntos Estrangeiros, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, presidiu a elevação da bandeira espanhola na sede da Embaixada e condecorou vários de seus empregados pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos de conflito na Síria.