O Ministério do Interior comunicou esta quarta-feira no final da tarde que o diretor adjunto operacional (DAO) da Polícia Nacional, o comissário principal José Santafé, informou que, até o momento, nenhum relatório policial conseguiu estabelecer a "autoria intelectual" da entrada massiva de migrantes em Ceuta registrada no passado dia 30 de julho.
Em uma nota oficial, o Interior detalha que o DAO —máxima autoridade uniformada do corpo— solicitou informações aos responsáveis pelas comissarias gerais de Informação e de Estrangeiros, das quais depende o Centro Nacional de Imigração e Fronteiras (CENIF). Este organismo enviou um relatório à Audiência Nacional no qual se menciona o papel das forças de segurança marroquinas.
"Após conhecer ambas as comunicações, o diretor adjunto operacional do corpo informa ao seu diretor geral que as mesmas não permitem estabelecer a implicação de nenhum governo, serviço, agência ou pessoa, desconhecendo-se neste momento a autoria intelectual de dita entrada massiva dos dias 30 e 31 de julho de 2026", assinalou o Interior em seu comunicado.
A informação foi elevada à cadeia de comando a pedido do diretor geral da Polícia, Francisco Pardo, depois que o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, lhe enviou esta quarta-feira de manhã uma carta solicitando esclarecimentos sobre o relatório elaborado pelo CENIF.
De acordo com o Interior, o comissário geral de Informação do corpo, o comissário geral Javier Antonio Susín, informou ao DAO que "não foi emitido nenhum relatório atribuindo a autoria do assalto a nenhum governo, serviço ou pessoa, uma vez que, até a data, desconhece-se a autoria intelectual de dito assalto".
Por sua vez, o comissário geral de Estrangeiros e Fronteiras, o comissário geral Julián Ávila, comunicou ao DAO que "não existe relatório anterior algum desta Comissaria Geral, exceto o relatório emitido pelo Centro Nacional de Imigração e Fronteiras (CENIF) datado de 29 de julho, e outros relatórios de análise de riscos emitidos posteriormente".
O Governo e o Ministério do Interior reiteraram até agora que Marrocos não teve responsabilidade na chegada massiva de 72.000 migrantes a Ceuta. Além disso, sublinharam que nenhum serviço de informação, incluindo o CNI, antecipou essa entrada, limitando-se a remeter relatórios de situação semelhantes aos de anos anteriores.
Funções e alcance do CENIF
O Interior também precisou que o CENIF carece de agentes desdobrados em Marrocos e não conta com "consideração de unidade investigadora com o caráter orgânico de Polícia Judicial", ao contrário de outras unidades vinculadas às comissarias gerais de Informação, Polícia Judicial e da própria Comissária Geral de Estrangeiros e Fronteiras.
O departamento acrescenta que as conclusões do relatório enviado à Autoridade Judicial se sustentam "de forma prioritária" na coleta e na análise de dados provenientes do acompanhamento da atividade em diversas aplicações de mensageria e redes sociais de caráter aberto, assim como em imagens e vídeos divulgados por diferentes meios de comunicação.
Segundo o Interior, esse tipo de fontes não permite estabelecer a implicação nem a autoria responsável, em seu caso, dos movimentos de entrada em Ceuta durante os dias 30 e 31 de julho.