A Procuradoria Europeia implica Aldama no desvio de 27,9 milhões para Portugal com assinaturas do caso hidrocarbonetos

A Fiscalia Europeia vincula Víctor de Aldama a um desvio de 27,9 milhões para Portugal através de empresas de fachada ligadas ao caso hidrocarbonetos.

3 minutos

fotonoticia 20260902135525 1920

fotonoticia 20260902135525 1920

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

3 minutos

Mais lido

A Fiscalia Europeia apontou o empresário e mediador Víctor de Aldama por sua suposta participação no desvio de 27,9 milhões de euros para Portugal através de sociedades vinculadas ao 'caso hidrocarbonetos' que instrui a Audiência Nacional.

Em um escrito ao qual teve acesso a Europa Press, o organismo europeu transfere esses dados ao juiz instrutor, Santiago Pedraz, para que os incorpore ao processo e precisa que coloca à sua disposição o saldo das contas bancárias intervencionadas no país luso.

O órgão comunitário detalha que, em junho passado, a delegação espanhola da Fiscalia Europeia recebeu de seu escritório em Portugal uma investigação sobre lavagem de dinheiro "cujo delito precedente é um delito de fraude fiscal cometido na Espanha".

Segundo expõe a fiscal do caso, a investigação começou a partir de comunicações de entidades financeiras no âmbito da normativa de prevenção da lavagem, "notificando às autoridades grandes transferências bancárias para contas portuguesas a partir de contas bancárias espanholas".

Enfatiza que "constatou-se que entre 2022 e 2024, aproximadamente 27,9 milhões de euros entraram no sistema bancário português, em contas pertencentes a sociedades portuguesas, transferidos de contas bancárias na Espanha por ordem das sociedades espanholas Canary Islands, Salamanca Fuel, Casmar Hidrocarburos e Obaiol 3000".

A Fiscalia Europeia explica que essas firmas do setor de combustíveis "estavam utilizando empresas de fachada portuguesas para realizar supostos pagamentos por suprimentos, sem as correspondentes declarações de IVA, com o objetivo de permitir que os ganhos ilícitos gerados sejam devolvidos a contas na Espanha".

Precisa que, desse montante, pelo menos nove milhões retornaram a contas na Espanha, cerca de três milhões foram enviados ao Reino Unido e outros três foram "dispersos" para contas abertas em outros Estados, entre eles Polônia, França, Bélgica, Lituânia, Itália, Alemanha ou Uruguai.

A isso soma que em Portugal ficaram 13 milhões de euros, dos quais cerca de 11,8 já foram intervencionados neste processo, e que o suposto "esquema de evasão fiscal e obtenção de benefícios está sendo apoiado" por Aldama e outros implicados, que "facilitaram o uso de várias empresas com sede em Portugal para fazer circular os fundos provenientes da fraude".

Sete milhões através de uma sociedade

Entre as sociedades assinaladas figura Atmosferaudaz Unipessoal, cujo "único acionista" é Aldama e que foi constituída em agosto de 2022 com o objeto de prestar serviços de consultoria e dedicar-se à compra e venda e gestão de imóveis, "embora não figure como compradora de bens imóveis em Portugal".

"Atmosferaudaz possui quatro contas bancárias, que podem ser geridas por Aldama, e que, entre janeiro de 2022 e novembro de 2023, receberam um montante total de crédito de 7.427.023,00 euros", precisa o documento.

A Procuradoria Europeia sustenta que o estudo da documentação bancária e fiscal, junto com a informação obtida em fontes abertas, revela que "quase todas as empresas que figuram como com sede social em Portugal, que receberam fundos de empresas espanholas, não realizam realmente nenhuma atividade econômica, nem os fluxos financeiros que foram transferidos em suas contas bancárias correspondem a operações comerciais, sendo estas meras transferências de fundos".

"Entre estas empresas que não realizaram nenhuma atividade econômica, algumas emitiram faturas e/ou declararam montantes em suas declarações que eram mais ou menos consistentes com os fluxos financeiros mostrados em seus extratos bancários", acrescenta a procuradora.

E ressalta que, apesar dessa aparente "coerência", um exame global dos dados "não apoia a conclusão de que esta documentação e relatório correspondam a operações econômicas reais nem que as empresas tenham alguma atividade, já que esta declaração fiscal foi realizada para justificar a transferência de fundos".

O Ministério Público europeu considera que esta análise se encaixa com o que já foi detectado na causa aberta na Audiência Nacional sobre "um grupo de empresas espanholas do comércio de combustíveis que utilizaram empresas de fachada portuguesas para realizar supostos pagamentos por fornecimentos, sem a devida declaração do IVA e com o objetivo de permitir a devolução dos lucros ilegítimos gerados a contas na Espanha".

O magistrado Santiago Pedraz investiga um suposto fraude fiscal superior a 200 milhões de euros no IVA de hidrocarbonetos entre 2021 e 2024, em um procedimento no qual figuram como imputados Aldama -- condenado pelo Tribunal Supremo no 'caso máscaras' -- e outros empresários como Claudio Rivas, da mercantil Villafuel.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?