O presidente do Governo, Pedro Sánchez, tem previsto declarar esta terça-feira a "situação de interesse para a segurança nacional" diante da crise provocada pela entrada maciça de mais de 80.000 migrantes em Ceuta através da fronteira com Marrocos.
A decisão será adotada após uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança Nacional centrada na crise de Ceuta, convocada 26 dias após a chegada de imigrantes no final de julho. A este encontro assistirão, além do presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, um total de 17 ministros, incluindo os titulares das três Vice-Presidências do Executivo.
O vice-presidente primeiro e ministro da Economia, Comércio e Empresa, Carlos Cuerpo, foi quem adiantou a ativação desta figura, que na prática implica o nível mais alto de gravidade no âmbito da proteção civil, e confirmou que o ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, assumirá o comando único, tal como vinha reclamando Vivas.
Segundo explicou o vice-presidente primeiro, esta decisão marcará "um antes e um depois" na gestão dos migrantes que permanecem na cidade autônoma após a entrada de 80.000 pessoas entre os dias 30 e 31 de julho.
"Esperamos que a coordenação que permitirá este comando único fará com que esta repatriação, naqueles casos que sejam necessários, seja o mais rápida possível e que a gestão dos processos dos menores e das pessoas que tenham direito a asilo seja também o mais rápida possível", sublinhou, ressaltando a relevância da cooperação entre todas as administrações implicadas.
Cuerpo incidiu na urgência de "resolver o quanto antes, de maneira diligente e eficiente" a situação de todos esses casos, com o propósito de "repatriar aqueles que não tenham direito a permanecer em nosso país e acolher de maneira adequada os menores e aqueles solicitantes de asilo que sim o tenham", sempre com "todas as garantias", tanto no plano humanitário como no jurídico.
Neste contexto, o ministro da Economia agradeceu a Vivas "a predisposição para avançar e participar nessas duas iniciativas", em referência ao comando único e às medidas de choque, e ressaltou que no Executivo são "plenamente conscientes de que os ceutíes estão passando mal".
Plano de choque específico para Ceuta
O corpo também avançou nesta segunda-feira um pacote de "medidas de choque" frente à situação que vive Ceuta após a entrada massiva de migrantes há algumas semanas. Essas atuações incluirão o reforço da segurança, a gestão dos retornos e a "revitalização" da economia da cidade autônoma.
A Moncloa prevê manter ao longo desta semana várias reuniões com os agentes sociais, as associações, os setores econômicos mais relevantes e o próprio Governo de Ceuta, com o fim de "aterrizar de maneira imediata" as medidas de choque e lograr que "possam ser apresentadas e aprovadas o quanto antes".