A eurodeputada e secretária política do Podemos, Irene Montero, denunciou que Marrocos "está metido até as orelhas" na chegada de milhares de pessoas migrantes registrada no final de julho em Ceuta, questionando "por que o Governo não para de mentir" sobre o que ocorreu.
"Muita gente se pergunta, eu me pergunto, por que o Governo não para de mentir? Se toda a Espanha sabe que Marrocos está metido até as orelhas em tudo isso, por que o Governo continua defendendo a ditadura marroquina?", manifestou Montero nesta quarta-feira em declarações à imprensa antes de participar da concentração "Paremos os pés ao racismo" na Praça de Callao (Madri).
A dirigente do Podemos criticou o Executivo por "continuar regando" Marrocos "com dinheiro de todos os espanhóis e espanholas para que faça o trabalho sujo em nossas fronteiras". "Se Marrocos pôde fazer isso é porque a Espanha lhe deu esse poder com essa política migratória criminosa que é europeia e que é espanhola", sublinhou.
"E por que não resolvem já a crise humanitária?, que é o mais importante e a melhor forma de ajudar a toda a gente que vive com preocupação o transbordo dos serviços públicos em Ceuta", acrescentou. Questionada sobre que decisões teria impulsionado o Podemos para conter a situação na cidade autônoma, Montero indicou que "as mesmas" que foram aplicadas "com os centenas de milhares de pessoas refugiadas da Ucrânia" por meio de sua acolhida.
Em relação a isso, lembrou que se trata de "um dever legal do Estado espanhol" que, a seu ver, "está desatendendo". "O Governo abandonou suas obrigações de proteção e acolhida", reprochou, ao mesmo tempo que ressaltou que, em sua opinião, não se está diante "de um problema de gestão" mas diante "de uma inação calculada que criou uma crise humanitária e que deu gasolina a um ódio e a uma violência racista".
"Nos concentramos para denunciar todo ato de ódio porque todas as pessoas são iguais e vamos continuar defendendo a diversidade da Espanha. Não cabe nenhum ato racista neste país e vamos continuar nessa luta, vamos continuar defendendo a vida de todo mundo", concluiu a secretária política do Podemos.