Vox votará a favor da proposição não de lei registrada por Sumar no Congresso para pedir que Marrocos deixe de fazer parte da organização da Copa do Mundo de 2030 junto à Espanha e Portugal, segundo confirmaram fontes da formação ao El País.
A iniciativa ainda não tem data fechada, embora tudo aponte que será votada em setembro, com o início do novo curso político. A decisão coloca pela primeira vez Vox e Sumar do mesmo lado desta questão, apesar de estarem em posições ideológicas opostas.
A proposta de Sumar surge após a entrada massiva de migrantes registrada em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho, um episódio que levou várias formações a questionar a relação com Marrocos e, em concreto, sua participação na candidatura compartilhada para a Copa do Mundo.
Vox apoia a iniciativa de Sumar
Os 32 deputados de Vox se inclinam por apoiar a iniciativa de Sumar. A formação de Santiago Abascal havia registrado previamente sua própria PNL com um objetivo similar.
Nesse texto, Vox sustenta que "os gravíssimos acontecimentos registrados em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho quebraram por completo os pressupostos de confiança e cooperação sobre os quais necessariamente repousa uma candidatura compartilhada".
A formação acrescenta que Marrocos "não é um parceiro leal, nem para organizar um evento esportivo dessa magnitude nem para qualquer questão de vizinhança" e considera que o que aconteceu gera "sérias dúvidas" sobre sua capacidade de oferecer as garantias necessárias para organizar uma competição como a Copa do Mundo.
Sumar foca nos direitos humanos
A proposta de Sumar chega a uma conclusão similar, embora a partir de uma argumentação diferente.
"Enquanto persistirem dúvidas tão graves sobre o uso político de vidas humanas, Marrocos não pode obter o prestígio, os benefícios econômicos e a legitimação internacional de uma Copa do Mundo", aponta o texto.
A iniciativa propõe que o Governo revise a organização conjunta do torneio com a FIFA, a Federação Espanhola de Futebol e Portugal, terceiro país integrante da candidatura.
Sumar também exige garantias específicas em matéria de direitos humanos durante todo o processo de preparação do campeonato.
Sumar pode votar contra a proposta de Vox
A coincidência entre ambas as formações não implica, no entanto, um apoio mútuo de suas respectivas iniciativas.
Embora o Vox sim prevê votar a favor da PNL do Sumar, tudo aponta que o Sumar rejeitará a proposta apresentada pelo Vox, apesar de que ambos buscam questionar a participação de Marrocos no torneio.
A diferença está no enfoque e no conteúdo dos textos, embora o resultado político que buscam coincida parcialmente.
Podemos também quer excluir Marrocos
O Podemos se juntou igualmente às vozes que pedem que a Espanha não compartilhe a organização da Copa do Mundo com Marrocos.
Seu secretário-geral, Pablo Fernández, defendeu que "a Espanha não deveria organizar a Copa do Mundo com uma ditadura como Marrocos, que não respeita os direitos humanos" e vinculou essa posição diretamente com a crise de Ceuta.
Se Vox, Sumar e Podemos apoiam finalmente a mesma iniciativa, somariam 62 deputados: 32 do Vox, 26 do Sumar e quatro do Podemos.
O restante dos grupos parlamentares ainda não fixou publicamente sua posição.
O Governo mantém sua aposta pela Copa do Mundo conjunta
O Executivo mantém, por enquanto, uma posição diferente.
A ministra de Esportes, Milagros Tolón, assegurou na semana passada que o Governo continua apoiando a organização conjunta da Copa do Mundo de 2030.
"Nós respeitamos, estamos em um Governo de coalizão, às vezes temos diferenças e, como Governo, apostamos por esta Copa do Mundo", afirmou em uma entrevista na Cadena SER.
A proposta do Sumar abre assim uma nova discrepância dentro da coalizão de Governo, embora por enquanto o PSOE não tenha anunciado nenhuma mudança de posição.