O magistrado da Audiência Nacional que instrui o 'caso Plus Ultra', José Luis Calama, ordenou à Unidade de Delinquência Econômica e Fiscal (UDEF) da Polícia Nacional que elabore "um estudo exaustivo sobre a evolução da propriedade do capital social" da companhia aérea.
A decisão figura em uma providência à qual teve acesso a Europa Press, dentro do procedimento em que se analisam possíveis irregularidades no resgate de 53 milhões de euros concedido pelo Governo à Plus Ultra durante a pandemia. Neste caso, o juiz aponta o ex-presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero como suposto dirigente de uma rede de tráfico de influências que teria obtido benefícios econômicos em troca de influir supostamente na concessão dessa ajuda, motivo pelo qual decidiu sua imputação.
Com esta resolução, o magistrado atende ao pedido formulado pela Fiscalia e requer à UDEF "para que realize um estudo exaustivo sobre a evolução da propriedade do capital social da sociedade Plus Ultra".
Em seu escrito, ao qual também teve acesso esta agência, o Ministério Público lembra que a Plus Ultra foi constituída em 2011 e que seus sócios fundadores foram Julio Martínez Sola, investigado no caso, e Fernando González Enfedaque.
O documento do fiscal destaca também "a existência de diversas mudanças acionárias, particularmente significativas a partir do ano de 2017 em que entram no capital social e nos órgãos de gestão pessoas de origem venezuelana".
A partir desse momento, prossegue a representante do Ministério Público, "a sociedade começou a ser controlada por sócios que realizam aparentemente aportações de capital", entre eles o empresário Rodolfo Reyes, atualmente em busca e captura, junto com outros investidores.
Segundo expõe a fiscal, "o acesso do capital venezuelano à sociedade espanhola Plus Ultra se produziu através de diversas escrituras públicas, cujo alcance e eventual impacto na própria consideração da companhia aérea ao solicitar a ajuda pública em 1 de setembro de 2021 deve ser objeto de análise, resultando por isso de grande transcendência, para os efeitos da instrução, conhecer a evolução acionária da mesma".
Por este motivo, o Ministério Público solicitou que a UDEF elaborasse "um exaustivo relatório de análise da história registral completa da Plus Ultra desde sua constituição até a data atual, a fim de conhecer as mudanças acionárias, os desembolsos concretos e efetivos, a evolução da propriedade e quantos aspectos relativos à sua financiamento resultem de interesse, atendendo tanto às inscrições registrais como a quantos documentos permitam determinar os mencionados extremos".