CHA e o Partido Verde reclamam parar novas plantas de biogás e biometano em Aragão até regular sua expansão

CHA e o Partido Verde exigem uma moratória a novas plantas de biogás e biometano em Aragão e um plano que ordene sua expansão e seus impactos.

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CHA e o Partido Verde solicitaram uma moratória diante da expansão "sem precedentes" das plantas de biogás e biometano em Aragão enquanto se estabelece um marco regulatório claro para sua implantação.

Assim o expuseram nesta terça-feira em coletiva de imprensa a secretária-geral do CHA, Verónica Villagrasa, e o porta-voz do Partido Verde em Aragão, Jorge Luis Bail, que registraram uma proposição não de lei que será debatida e votada nas Cortes de Aragão sobre a ordenação dessas instalações na Comunidade.

Villagrasa apontou que "a iniciativa parlamentar contou em sua elaboração com a participação cidadã que está sendo organizada para enfrentar a expansão sem precedentes de projetos de biogás e biometano em todo Aragão".

Com os dados que manejam atualmente, contabilizam-se cerca de 75 projetos em diferentes fases administrativas: 31 em comarcas do Alto Aragão, 37 em zonas de Zaragoza e 7 no sul da Comunidade, "números que superam amplamente as previsões contidas no próprio Plano Energético de Aragão 2024-2030, que contemplava um desenvolvimento significativamente menor desse tipo de instalações".

A também deputada do CHA reconheceu que o biogás pode ser uma ferramenta válida para a transição energética e a valorização de resíduos se for impulsionado com critérios de proximidade, escala adequada, suficiência territorial, economia circular e respeito ambiental. No entanto, advertiu que "o crescimento acelerado e desordenado de projetos está gerando uma crescente preocupação social em numerosos municípios aragoneses que carecem de ferramentas úteis para avaliar os impactos reais de atividades industriais em seu entorno".

Para o co-porta-voz do Partido Verde em Aragão, "a gestão dos digestatos, o aumento do tráfego pesado, os riscos para a qualidade das águas, as emissões odoríferas, a dispersão de elementos químicos, o impacto paisagístico, a concentração de instalações em comarcas como a Hoya de Huesca e o incentivo para a criação de novas macrogranjas são algumas das questões que estão sendo objeto de debate público".

A esses receios se soma "a incerteza sobre a disponibilidade real de resíduos suficientes para abastecer o elevado número de plantas projetadas e o efeito chamada que isso pode significar, ou seja, a possibilidade de que Aragão se torne receptor de todo tipo de resíduos para esse tipo de plantas de forma incontrolada".

"A aparição de plataformas cidadãs evidencia a necessidade de melhorar o planejamento, a transparência e a participação pública na tomada de decisões sobre essas infraestruturas", acrescentou Bail, que defendeu compatibilizar a aproveitamento energético dos resíduos com a proteção do território, a saúde pública, a atividade agrícola e pecuária, a conservação dos recursos naturais e a qualidade de vida das populações rurais.

Iniciativa parlamentar para ordenar o setor

Diante desse cenário, ambas as formações impulsionaram uma iniciativa com até 14 pontos na qual reclamam, como primeira medida, elaborar em um prazo máximo de seis meses um Plano Aragonês de Ordenação do Biogás e Biometano. Este documento deverá determinar as necessidades reais do território e fixar critérios vinculativos sobre localização, capacidade, distâncias a núcleos habitados, recursos hídricos, espaços naturais protegidos, zonas reservadas para a recuperação de espécies, impacto paisagístico, centros educativos e outros equipamentos sensíveis.

Igualmente, propõem a suspensão cautelar da autorização de novas plantas de biogás e biometano de caráter industrial até que se aprove esse plano, excetuando as instalações de pequena escala ligadas exclusivamente aos resíduos gerados na própria exploração pecuária, no município ou na comarca.

A proposição não de lei fixa também uma "rigorosa exclusão" de resíduos provenientes de matadouros e aterros, limitando o uso aos gerados pela atividade agropecuária.

CHA propõe, além disso, a criação de um registro público, acessível e atualizado, que reúna todos os projetos de biogás e biometano em Aragão, com informações sobre sua fase de tramitação, capacidade prevista, empresa promotora, procedência dos resíduos, superfície necessária para a gestão de digestatos e municípios afetados.

Junto a isso, propõe-se incorporar em todos os procedimentos de avaliação ambiental a análise dos impactos acumulativos e sinérgicos derivados da concentração de projetos em uma mesma comarca ou área.

Limites, controle e participação cidadã

As formações também defenderam a fixação de limites máximos de concentração territorial de instalações de biogás e biometano, a fim de evitar uma distribuição desigual das cargas ambientais e reforçar a coesão territorial, assim como consensuar a localização das plantas com os municípios do entorno do município onde se instalem.

Por outro lado, CHA e o Partido Verde defendem garantir que os projetos demonstrem a existência real e suficiente de resíduos em um raio de proximidade razoável, descartando modelos baseados no transporte massivo de resíduos entre municípios distantes, províncias ou comunidades autônomas. A pegada de carbono associada deverá ser integrada no projeto e traduzida em uma economia líquida de emissões de GEE, de modo que se possam rejeitar aquelas iniciativas que não incorporem esse cálculo.

Outro dos pontos da proposta centra-se em reforçar os mecanismos de participação pública, ampliando os prazos de informação e oferecendo documentação clara e compreensível para a cidadania, assim como em colocar em marcha sistemas públicos de acompanhamento e controle de emissões, odores, tráfego pesado, gestão de digestatos e afecções às águas superficiais e subterrâneas, com publicação periódica dos resultados.

Também se propõe exigir que os projetos e seus estudos de impacto ambiental incluam e analisem planos detalhados, compreensíveis, rigorosos, realistas e credíveis para a gestão de digestatos, incorporando esta atividade ao balanço de economia ou emissão de GEE de cada iniciativa.

A proposição não de lei recolhe igualmente a prioridade para instalações de pequena e média escala vinculadas a explorações agropecuárias, cooperativas, comunidades energéticas locais ou projetos municipais, em detrimento de grandes plantas industriais.

Finalmente, contempla-se a criação de uma mesa aragonesa de diálogo sobre biogás e biometano, com representação de municípios, comarcas, organizações agrárias, entidades ecologistas, plataformas de vizinhos, comunidade científica e setor empresarial. Este órgão facilitaria aos atores implicados o acesso a informações precisas e a recursos técnicos para avaliar o impacto local dos projetos, assim como a revisão do Plano Energético de Aragão 2024-2030 em matéria de biogás e biometano, ajustando-o à situação atual de projetos em andamento e em tramitação, e garantindo que o desenvolvimento do setor responda a critérios de interesse geral, equilíbrio territorial e sustentabilidade ambiental.

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