O secretário-geral da CUP, Non Casadevall, sustentou que a imigração constitui um direito natural de todas as pessoas e denunciou a "desumanização total e absoluta a gente que está terrivelmente necessitada" que, a seu juízo, está se produzindo em Ceuta.
Em uma aparição diante da mídia nesta segunda-feira na sede da formação, explicou que a CUP evita centrar o debate em quem pode ou não pode emigrar e prefere colocar o foco no modelo econômico vigente. Advertiu que discutir sobre "quem tem ou não tem direito a imigrar" implica, segundo ele, "é um erro e comprar os marcos da extrema direita".
Insistiu que "temos um problema com uma gente que tem que fugir de seu país por questões materiais ou humanitárias, centrar-nos em quem tem direito ou não tem direito não é um debate no qual queremos entrar como CUP", ressaltando que a prioridade deve ser a atenção a essas pessoas.
Na mesma linha, acrescentou: "Nos horroriza ver como muitos meios espanhóis trataram essas pessoas e como a extrema direita está fazendo bandeira disso e o utilizou para espalhar mais ódio e mais divisão".
Críticas à atuação policial e ao Governo
Em outro âmbito, Casadevall aludiu à intervenção policial anterior ao encontro entre o Elche e o FC Barcelona, durante a qual foi preso um seguidor azulgrana que portava uma estelada. Sobre este episódio, assegurou: "Até com o Governo mais progressista da história que dizem alguns, as porradas e a violência seguem exatamente o mesmo caminho".
Denunciou que "é exatamente a mesma coisa, sempre contra os catalães. O Estado vai por tudo e nós queremos responder com firmeza a este Estado. E dizemos assim de claro, nem o Governo do Estado espanhol nem o Govern da Generalitat estão à altura", atacando tanto o Executivo central quanto o Govern.
Casadevall afirmou igualmente que "a impunidade da catalanofobia é diretamente proporcional à tibieza" do Govern de Salvador Illa ao defender os direitos da cidadania catalã.
Por este motivo, reclamou a Illa "a criação de medidas para lutar contra a catalanofobia, especialmente por parte dos corpos policiais do Estado e a atuação de urgência para garantir que um atentado contra os catalães não se volte a produzir".
Finalmente, chegou à conclusão de que "queremos que a Polícia Nacional e todas as forças policiais do Estado abandonem imediatamente e para sempre os 'països catalans'. Cada vez temos mais motivos do que nunca para reprender de maneira urgente nosso caminho rumo à independência".