O secretário-geral do EH Bildu, Arnaldo Otegi, manifestou nesta segunda-feira que "há um interesse por parte da extrema direita de capitalizar os acontecimentos de Ceuta" e reiterou que se posiciona "absolutamente contra" as concentrações convocadas para o dia 2 de setembro em apoio à Cidade Autônoma. Segundo sublinhou, "essas concentrações em Euskal Herria serão absolutamente minoritárias e vão passar sem pena nem glória".
Em uma coletiva de imprensa em Pamplona, após a reunião da Mesa Política do EH Bildu, Otegi explicou que estão ouvindo "alguns discursos preocupantes" e se perguntou se "existe o direito internacional". A esse respeito, reivindicou que "se existe o direito internacional, que se aplique. Que se aplique também neste caso e não há mais debate sobre este tema".
Ao mesmo tempo, questionou se "no que ocorreu em Ceuta, além de um fenômeno migratório, há mais coisas", e sustentou que efetivamente "há mais coisas". Nesse sentido, pediu "também que não percamos de vista isso".
O dirigente abertzale destacou que "do Vaticano até as posições de esquerda temos que defender que se aplique o direito internacional e que se protejam os menores", embora tenha avisado que, mesmo cumprindo essas premissas, não se atacará de raiz o conflito, "porque esse problema só é combatido se se combate uma ordem econômica injusta e uma ordem internacional sem regras". Lembrou que "todos os dias, hoje também, mais de 15.000 crianças menores de cinco anos vão morrer neste planeta por falta de água potável. Até que se combata essa ordem econômica internacional, não se resolverão esses problemas".
Otegi acrescentou que "combater essa ordem injusta a partir de uma formação política como o Bildu, com toda a humildade do mundo, é recuperar os princípios socialistas, os princípios democráticos e os princípios de defesa dos direitos humanos". Também assinalou que "aí estamos, desde as posições de esquerda, até caberia lembrar os devotos católicos, por exemplo, de Nafarroa, o Papa que está instalado no Vaticano", com o fim de fazer "uma defesa dos seres humanos, a defesa dos princípios socialistas, a defesa de uma ordem econômica mais justa". E concluiu que "enquanto isso não acontecer, os problemas não terão solução. E nós contribuiremos nessa direção na medida de nossas pequenas possibilidades".