Um incêndio de grandes dimensões destruiu neste sábado, 24 de outubro, boa parte do Ninho da Águia, a antiga residência de montanha de Adolf Hitler situada nos Alpes bávaros, ao sul da Alemanha. O fogo começou durante a noite de sexta-feira na conhecida como Casa Kehlstein, um edifício histórico localizado a 1.834 metros de altitude, perto da localidade de Berchtesgaden. As chamas se espalharam rapidamente pela construção e obrigaram a desplegar um amplo dispositivo de emergência em uma zona de difícil acesso.
Segundo informa El País, a Polícia da Baviera confirmou a detenção de uma pessoa suspeita, embora ainda se investigue se guarda relação com a origem do incêndio. As autoridades trabalham com a possibilidade de que o fogo tenha sido intencional, mas por enquanto não se determinou oficialmente sua causa. Não foram registradas vítimas nem feridos, já que o imóvel se encontrava vazio quando começou o incêndio.
Cerca de 200 bombeiros trabalham na extinção do incêndio
A primeira alerta ocorreu por volta das 21h15 de sexta-feira, 23 de outubro, quando os serviços de emergência receberam o aviso de um incêndio no edifício. Ao chegarem, os bombeiros encontraram a construção completamente envolta em chamas, com uma coluna de fogo e fumaça visível de diferentes pontos da montanha.
Até 200 efetivos participaram das tarefas de extinção, dificultadas pela localização do imóvel e as condições de acesso. O Ninho da Águia se ergue sobre um promontório rochoso ao qual se chega por meio de uma estrada de montanha e um elevador escavado na rocha, características que complicaram a chegada das equipes e o transporte de material.
O incêndio provocou danos de grande consideração. Segundo relata El País, fontes policiais citadas pelo diário alemão Bild consideram que a construção ficou praticamente arrasada. "Não há nada do edifício que se possa salvar", apontaram essas fontes ao avaliar a magnitude da destruição. Durante a manhã de sábado ainda podia ser observado fumaça saindo do imóvel, apesar de as chamas terem sido controladas.
Um detido enquanto a Polícia investiga se o incêndio foi provocado
A Polícia Criminal de Traunstein assumiu as investigações para determinar as circunstâncias do ocorrido. Os agentes identificaram e detiveram provisoriamente uma pessoa pouco depois de declarado o incêndio, embora as autoridades tenham advertido que ainda não está acreditada sua participação nos fatos.
A hipótese de um incêndio provocado faz parte das linhas de investigação, mas os responsáveis policiais não comunicaram detalhes sobre a identidade do detido nem sobre os possíveis motivos. Também não foi confirmado quais elementos do edifício poderão ser recuperados uma vez que finalizem as avaliações de segurança.
O que é o Ninho da Águia e por que foi importante para Hitler
O Ninho da Águia, conhecido em alemão como Kehlsteinhaus, foi construído em 1938 sob a supervisão de Martin Bormann, um dos principais dirigentes do regime nazista e estreito colaborador de Adolf Hitler. Situado sobre o monte Kehlstein, o edifício fazia parte do complexo de Obersalzberg, uma área de acesso restrito que concentrou diferentes instalações utilizadas pela cúpula do Terceiro Reich.
A residência foi concebida como um espaço de representação e recepção de convidados, incluindo diplomatas estrangeiros e altos cargos do regime. Embora sua imagem tenha ficado estreitamente associada a Hitler, o ditador a utilizou em contadas ocasiões e passou muito mais tempo no Berghof, outra residência situada nas proximidades.
O Ninho da Águia sobreviveu aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial e, desde 1952, funcionava como restaurante e destino turístico. Sua localização, com vistas panorâmicas dos Alpes, atraía numerosos visitantes e o edifício abrigava informações históricas sobre seu passado durante o nazismo.
Nas proximidades encontra-se também o Centro de Documentação de Obersalzberg, dedicado a explicar a história do regime nazista e seus crimes. O recinto foi renovado em 2024 e faz parte dos espaços alemães destinados a preservar a memória histórica.
A destruição do Ninho da Águia representa assim a perda de um dos edifícios mais reconhecíveis vinculados à história do nazismo, que havia permanecido de pé por mais de oito décadas. As autoridades alemãs deverão determinar agora a extensão definitiva dos danos e esclarecer se por trás do incêndio houve uma atuação deliberada.