A fatura da luz sobe 19% em agosto: o recibo chega a 88,81 euros

O recibo de uma casa com tarifa regulada PVPC encarece em quase 15 euros em relação a agosto de 2025 e assina seu agosto mais caro desde 2022.

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A fatura da luz aumentou 19,04% em agosto de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior para um consumidor médio que aderiu à tarifa regulada PVPC. A conta chega a 88,81 euros, em comparação com os 74,04 euros que esse mesmo lar pagava em agosto de 2025, o que representa 14,77 euros a mais em um único ano.

O aumento também ocorre em relação a julho. Em um mês, a fatura elétrica subiu 3,65%, equivalente a cerca de 3,13 euros adicionais. Com esse aumento, agosto se torna o mês de agosto mais caro desde 2022, quando a crise energética provocada pela invasão russa da Ucrânia disparou os preços.

Quanto se paga de luz em agosto de 2026?

Para calcular a fatura, toma-se como referência um consumidor tipo com 4,4 quilowatts (kW) de potência contratada e um consumo anual de 3.900 kWh.

O consumo é distribuído entre os três períodos horários da tarifa regulada:

Conceito Importe
Término fixo 11,41 €
Término variável 56,92 €
Imposto elétrico 3,53 €
IVA e tributos equivalentes 15,41 €
Total 88,81 €

O cálculo, realizado a partir do comparador da Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC), contempla um consumo de 30% em horas de ponta, 20% em horas normais e 50% em horas de vale.

O aumento da conta se explica fundamentalmente pelo aumento do custo da eletricidade no mercado atacadista, embora a fatura final também incorpore impostos, tarifas, encargos e outros custos regulados.

Por que a fatura da luz sobe tanto em agosto

O preço da eletricidade subiu durante agosto em um contexto marcado pelas altas temperaturas. As ondas de calor elevaram a demanda elétrica dos lares e aumentaram a necessidade de recorrer a tecnologias de geração capazes de cobrir o consumo quando a produção renovável não é suficiente.

Entre elas, têm um papel especialmente relevante os ciclos combinados de gás. Quando essas centrais entram na formação do preço marginal do mercado, o custo do gás e dos direitos de emissão de CO2 pode ser repassado ao preço atacadista da eletricidade.

O gás natural também se encareceu durante o mês. No mercado Mibgas, sua cotação se situa acima de 66 euros por megawatt-hora (MWh), em um contexto condicionado pela evolução das rotas de fornecimento do Oriente Médio, as reservas europeias antes do inverno e a demanda elétrica.

O preço da luz supera os 118 euros/MWh

O encarecimento da fatura coincide com um forte aumento do preço atacadista da eletricidade.

O pool elétrico registrou em agosto um preço médio diário superior a 118 euros/MWh, seu nível mais elevado desde fevereiro de 2023. Durante praticamente todo o mês, o preço médio diário se situou acima de 100 euros/MWh, com algumas exceções.

A evolução do mercado também mostrou grandes diferenças entre as diferentes horas do dia. Nas horas centrais, a elevada produção solar levou em alguns dias os preços mínimos perto de zero euros ou até valores negativos. Durante a noite, em contrapartida, foram registrados máximos superiores a 200 euros/MWh.

O preço atacadista é determinado por meio de um leilão no qual se cruzam as ofertas de venda das elétricas com as ordens de compra. As ofertas são ordenadas de menor a maior custo e o preço final é determinado pela última tecnologia necessária para cobrir a demanda.

Por isso, quando a produção renovável permite cobrir uma maior parte do consumo, os preços podem cair. Quando é necessário recorrer a tecnologias mais caras, como os ciclos combinados, o custo marginal aumenta.

Por que o preço do 'pool' não é igual à fatura?

O preço do mercado atacadista não é o mesmo que o que um lar paga em sua fatura de luz.

No caso dos consumidores acolhidos ao PVPC, ao preço da energia somam-se outros componentes, como os custos regulados, tarifas, encargos e impostos.

Além disso, a partir de 2024 o cálculo da tarifa regulada PVPC incorpora uma cesta de preços a médio e longo prazo para reduzir o impacto das oscilações do mercado diário.

A reforma reduziu progressivamente o peso do mercado diário e aumentou a presença de referências dos mercados futuros. A partir de 2026, os mercados a prazo representam 55% da ponderação do componente energético do PVPC.

Isso significa que o preço do 'pool' continua tendo influência sobre a fatura regulada, mas não se transfere de maneira direta e completa para a fatura mensal.

O IVA da luz voltou a 21% em junho

A fatura elétrica também está condicionada pelas mudanças fiscais aplicadas durante o ano.

Até junho, determinadas medidas aprovadas pelo Governo haviam permitido manter uma tributação mais reduzida sobre a eletricidade. A partir de 1 de junho voltou a ser aplicado o IVA de 21%, após a moderação que havia experimentado o IPC da eletricidade.

O Governo também estabeleceu uma redução progressiva do Imposto sobre o Valor da Produção de Energia Elétrica (IVPEE). O imposto passa de 7% para 5% em 2026, cairá para 3,5% em 2027 e será eliminado em 2028.

Pode voltar o IVA da luz para 10%?

O Governo mantém um mecanismo de salvaguarda que permite recuperar algumas das medidas fiscais se os preços elétricos voltarem a se deteriorar.

Em concreto, se o IPC específico da eletricidade de um mês superar em mais de um 15% o registrado no mesmo mês do ano anterior, seriam ativadas novamente determinadas medidas.

Nesse cenário, o IVA da eletricidade, do gás natural, dos pellets e da lenha voltaria para 10%, enquanto o Imposto Especial sobre a Eletricidade seria reduzido de 5,1% para 0,5%.

A evolução dos preços de agosto será, portanto, relevante para determinar se as condições previstas neste mecanismo são cumpridas.

Quem paga mais quando sobe o preço da eletricidade?

O impacto do mercado atacadista é especialmente relevante para os lares que estão no PVPC, a tarifa regulada do mercado elétrico.

Esse coletivo, formado por cerca de oito milhões de clientes, tem uma parte de sua fatura vinculada à evolução dos mercados elétricos e de futuros. Por isso, os episódios de preços elevados acabam tendo um impacto sobre suas contas.

Os consumidores que estão no mercado livre, por outro lado, pagam de acordo com as condições estabelecidas no contrato que mantêm com sua comercializadora. Um aumento do 'pool' não implica necessariamente que sua fatura aumente na mesma proporção ou no mesmo momento.

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