A Justiça do Equador considerou culpado o ex-presidente Lenín Moreno (2017-2021) por um delito de corrupção, ao dar como comprovado que recebeu subornos em troca de favorecer a empresa estatal chinesa Sinohydro na construção da maior usina hidrelétrica do país.
A Corte Nacional de Justiça (CNJ) conclui que Moreno, aproveitando seu cargo de vice-presidente —função que exerceu entre 2007 e 2013 durante o Governo de Rafael Correa— tentou intervir em um "âmbito alheio à sua reitoria" com o fim de garantir o financiamento do projeto, em troca de benefícios econômicos injustificados dirigidos à sua esposa, Judith González, sua filha Irina e seus irmãos.
De acordo com a Promotoria, a construtora chinesa Sinohydro teria desembolsado mais de 76 milhões de dólares (65,6 milhões de euros) em subornos para assegurar a adjudicação da usina Coca Codo Sinclair. Dentro dessa soma estaria incluído mais de um milhão de dólares (860.000 euros) que presumivelmente teriam sido recebidos por Moreno e vários de seus familiares.
Em consequência, o Ministério Público solicitou uma condenação que contemple a inabilitação para exercer cargos públicos, assim como uma pena de seis anos e seis meses de prisão para o ex-mandatário, sua esposa e sua filha, entre um total de 20 pessoas processadas nesta causa.
Após a audiência, Moreno responsabilizou o ex-presidente Rafael Correa e o ex-vice-presidente Jorge Glas pela adjudicação da hidrelétrica à companhia chinesa, em declarações feitas à imprensa na saída da audiência.
"Quem assinou o contrato foi Rafael Correa Delgado. Ele fez um contrato de governo a governo (...) Em que momento eu intervi? Na construção? Não. A construção foi feita, por ordem de Rafael Correa, por Jorge Glass e, paradoxalmente, no momento em que terminaram a construção (...) Não recebi um único centavo da Sinohydro", assegurou.
O julgamento começou em maio, poucos dias depois que o ex-chefe de Estado retornou ao Equador para comparecer perante a CNJ, após ser acusado formalmente de corrupção por sua suposta participação em um esquema de corrupção e subornos vinculado à maior usina hidrelétrica do país.
Segundo a Promotoria, essa rede corrupta teria operado entre 2009 e 2018. Os pagamentos ilícitos não teriam sido efetuados de forma direta, mas por meio de consultorias "fictícias", empresas de fachada e transferências bancárias relacionadas com o círculo mais próximo de Moreno.