O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez, advertiu nesta sexta-feira que cerca de 6.000 marinheiros permanecem encalhados no estreito de Ormuz devido ao conflito iniciado em 28 de fevereiro entre os Estados Unidos e o Irã, que mantém fechado este enclave chave para o tráfego marítimo.
"Seis meses após o início do conflito no Oriente Médio, a situação no estreito de Ormuz continua sem se resolver. Milhares de marinheiros na região continuam vivendo e trabalhando em condições de alto risco e incerteza. Embora alguns navios e suas tripulações tenham conseguido sair do golfo Pérsico, até 400 barcos, com cerca de 6.000 marinheiros a bordo, não puderam partir de forma segura desde que o conflito começou", destacou em um comunicado.
O Conselho da OMI deu luz verde em julho a uma resolução que pedia o respeito aos direitos e liberdades de navegação conforme o Direito Internacional e garantir que a passagem pelo estreito não seja "ameaçada" ou "obstruída".
Nesse contexto, Domínguez chamou a comunidade internacional a reforçar sua "vontade política" e sua "cooperação", instando a trabalhar com a organização e com o restante do sistema das Nações Unidas para "impulsionar soluções práticas que restabeleçam a liberdade de navegação através do estreito".
"O deterioro da segurança marítima em todo o mundo, desde o mar Negro até o mar Vermelho e o golfo de Adén, nos prejudica a todos. No entanto, é especialmente angustiante para os milhares de marinheiros inocentes afetados", concluiu.
Até agora, a OMI registrou pelo menos 70 ataques contra embarcações internacionais, que provocaram a morte de 19 marinheiros, em um cenário de tensões renovadas entre as partes após expirar o prazo de 60 dias que haviam dado para alcançar um acordo global que pusesse fim às hostilidades.