Ampliação | Reino Unido, Austrália e Canadá censuram que Israel rejeite investigar o ataque ao comboio de WCK

Londres, Ottawa e Canberra tacham de vergonhosa a negativa de Israel a abrir causa penal pelo ataque mortal ao comboio humanitário da WCK em Gaza.

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As autoridades do Reino Unido, Canadá e Austrália manifestaram nesta sexta-feira que consideram "vergonhoso" que Israel se recuse a abrir um processo penal pelo bombardeio de abril de 2024 contra o comboio humanitário da World Central Kitchen (WCK) em Gaza, no qual morreram sete cooperantes, entre eles cidadãos desses três países.

"Nos mais de dois anos que se passaram desde então, temos pressionado para que Israel examine o caso de forma rápida e exaustiva e exija responsabilidades dos culpados. O anúncio das Forças de Defesa de Israel (FDI) de 19 de agosto de 2026 de que não realizariam investigações penais sobre este ataque, sem dar mais explicações, é vergonhoso", denunciaram em um comunicado conjunto.

Os três governos sublinharam ainda que Israel tornou pública sua negativa em investigar o ataque exatamente na data em que se comemora o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, "enquanto o mundo prestava homenagem à coragem e ao sacrifício dos trabalhadores humanitários", algo que qualificaram de "foi especialmente atroz".

"Esta decisão é insuficiente e chega tarde demais. As vítimas deste incidente e suas famílias merecem justiça e que se prestem contas, e continuaremos buscando respostas em seu nome", acrescentaram, lamentando que o ataque ao comboio da WCK é "um dos inúmeros" episódios atribuídos ao Exército israelense na Faixa de Gaza pelos quais "não se exigiu prestação de contas".

Os três países lembraram que o enclave palestino "continua sendo o lugar mais mortal" para o pessoal humanitário, que "continuam arriscando suas vidas" para assistir à população civil. Apenas no ano passado, 186 cooperantes foram assassinados na área.

A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, condenou a decisão israelense e insistiu que "continuará pressionando para que os responsáveis" pelo ataque em que perdeu a vida o cidadão canadense Jacob Flickinger sejam levados à Justiça.

Em um comunicado, Anand indicou que durante a operação ocorreram "graves falhas" na execução do ataque contra o comboio da ONG fundada pelo chef espanhol José Andrés. "É necessário que haja justiça para os sete trabalhadores mortos e seus familiares", apontou.

"Fechar o caso sem maior prestação de contas deixa suas famílias sem as respostas que buscaram durante mais de dois anos. Os trabalhadores humanitários que entregam alimentos e ajuda vital em zonas de conflito devem ser protegidos", ressaltou, antes de enfatizar que "o Canadá espera que o Direito Internacional seja respeitado".

Suas declarações ocorrem após a Procuradoria Militar israelense decidir não abrir um processo penal ao concluir que o ocorrido não constitui um crime perseguível por esta via.

Em sua própria investigação interna, as forças de segurança reconheceram, no entanto, que ocorreram vários erros graves que levaram os soldados a pensar, de forma equivocada, que um membro do Movimento de Resistência Islâmica (Hamás) viajava com o comboio. Também alegaram que WCK não notificou o Exército sobre a presença de pessoal de segurança armado na caravana e que esta se desviou da rota previamente acordada.

ISRAEL DEFENDE QUE JÁ TOMOU "MEDIDAS DISCIPLINARES"

O Governo israelense respondeu nesta sexta-feira que foram as autoridades fiscais militares "independentes" que optaram por não abrir uma investigação penal, "baseando-se em rigorosas considerações profissionais e jurídicas".

Segundo explicou o Ministério das Relações Exteriores, a decisão "se fundamenta no limiar legal requerido para iniciar uma investigação penal, que se dá quando existe uma suspeita razoável de conduta delitiva".

O departamento também sustentou que o Ministério da Defesa já adotou "importantes medidas disciplinares e de comando" após uma investigação que, ressaltou, foi iniciada "imediatamente" após o ataque.

"Israel, profundamente comprometido com o Direito Internacional, submete suas operações militares a um rigoroso escrutínio jurídico, incluindo normas que superam as aplicadas por muitas forças armadas ocidentais em conflitos recentes", assegurou Relações Exteriores em sua resposta.

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