Ampliación | Pelo menos 95 falecidos e mais de 600 desaparecidos pelas inundações no norte do Nepal, junto à fronteira com a China

As inundações no norte do Nepal deixam pelo menos 95 mortos, mais de 600 desaparecidos e centenas de turistas ilocalizáveis perto da fronteira com a China.

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Pelo menos 95 pessoas perderam a vida e mais de 600 continuam desaparecidas em decorrência das intensas inundações desencadeadas pela forte cheia do rio Bhotekoshi no distrito montanhoso de Rasuwa, no norte do Nepal, muito próximo à fronteira com o Tibete, na China, segundo comunicaram nesta quarta-feira as autoridades nepalenses.

A Autoridade Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Desastres (NDRRMA) detalhou que os cadáveres recuperados pelas equipes de busca e resgate estão distribuídos em sete distritos, com uma maior concentração em Chitwan, mais ao sul do país. O desastre provocou cortes de comunicação em amplas áreas do território, o que complica seriamente as operações de auxílio.

Entre as áreas mais castigadas figuram mercados locais e postos de segurança. Além disso, são considerados desaparecidos 44 militares em Timure, no distrito de Rasuwa, perto do limite com a China, junto com 28 policiais e 13 membros de outros corpos de segurança.

A este recorte se somam 60 empregados de várias centrais hidrelétricas situadas nos setores afetados, assim como pessoal de Aduanas e Imigração, cujo paradeiro continua sendo desconhecido, de acordo com o balanço divulgado pela NDRRMA.

Até o momento, 57 pessoas feridas estão sendo atendidas em diferentes hospitais do país: 21 em Rasuwa e as 36 restantes em outras regiões, entre elas Catmandu, a capital. Paralelamente, cerca de 250 pessoas foram resgatadas desde o início da emergência.

Ao longo do leito do rio, numerosos assentamentos e infraestruturas sofreram danos de grande magnitude pela força da água, que também causou importantes destruições em território chinês, no trecho fronteiriço, especialmente na passagem de Gyirong.

As autoridades desplegaram um amplo contingente de pessoal de emergência apesar das sérias dificuldades de acesso às áreas mais isoladas. Para isso, conta-se com o apoio de dezenas de helicópteros e efetivos das forças de segurança, que permanecem prontos para continuar com as tarefas de busca e resgate, segundo registra o jornal "The Kathmandu Post".

O Governo expressou suas condolências aos familiares das vítimas fatais e dos feridos, após apontar um deslizamento de terra como origem do desastre, ao ter obstruído o leito de um rio no Tibete antes que ocorresse o transbordamento do Bhotekoshi. Nesse contexto, foi pedido aos habitantes das áreas próximas ao rio Trishuli que se mantenham afastados da margem e se desloquem para lugares seguros.

O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, manifestou ter o "coração pesado" pela "enorme perda humana e material causada pela repentina cheia do rio Bhotekoshi em Rasuwa". "Isso chocou e entristeceu todo o país. Este desastre natural inesperado mergulhou muitos de nossos irmãos, irmãs e crianças em uma profunda dor", destacou em um comunicado.

"Em nome do Governo do Nepal e em meu próprio nome, quero oferecer minha mais sentida homenagem a todos os que faleceram. Expresso minhas mais sinceras condolências àqueles irmãos e irmãs que perderam a vida, às suas famílias e lamento a perda de tudo o que possuíam. Todo o Governo do Nepal e todo o país os acompanha nesta dor insuportável. Desejo uma rápida recuperação a todos os feridos", afirmou.

Shah sublinhou que foram ativados "todos os seus recursos e mecanismos para realizar milhares de operações de resgate", e precisou que foram realizadas várias reuniões de emergência do Gabinete, nas quais "foram tomadas decisões importantes para intensificar os trabalhos de resgate, busca e socorro".

"Vivemos momentos muito delicados. Nossa máxima prioridade é salvar a vida dos feridos, buscar os desaparecidos e garantir segurança às pessoas afetadas. (...) O Governo continuará trabalhando para resgatar os cidadãos e normalizar suas vidas. A busca por pessoas desaparecidas será intensificada e informações completas sobre os feridos serão coletadas", declarou.

"Quero assegurar-lhes que vocês não estão sozinhos nesses momentos difíceis. O Estado está com vocês com todos os seus meios e recursos. Peço paciência. O Governo assume a plena responsabilidade pelo seu resgate, tratamento, alimentação e abrigo. Em tempos de tal desastre, todos devemos permanecer unidos", concluiu.

Centenas de turistas, em paradeiro desconhecido

Paralelamente, a Junta de Turismo do Nepal informou a meios locais que mais de 400 turistas, na sua maioria peregrinos que se dirigiam ao monte Kailash, no Tibete, encontram-se atualmente desaparecidos diante da impossibilidade de estabelecer contato enquanto persistem as inundações.

As autoridades estimam em 484 os turistas com os quais se perdeu a comunicação, dos quais pelo menos 93 são cidadãos nepaleses e 391 estrangeiros. Os primeiros dados indicam que entre eles haveria 105 indianos, 17 malaios, 12 britânicos, quatro sul-africanos, três americanos, um australiano e um neerlandês, enquanto o restante das nacionalidades não foi detalhado.

O Ministério das Relações Exteriores da Espanha indicou que, à tarde desta quarta-feira, não tem conhecimento de "espanhois afetados ou ilocalizáveis".

Em qualquer caso, as autoridades nepalesas instaram os visitantes a manter a calma, se informar pelos canais oficiais e seguir estritamente as instruções de segurança emitidas pelas instituições competentes.

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