As Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar sudanês, denunciaram nesta sexta-feira que um ataque aéreo do Exército contra um mercado da cidade de Nyala, capital de Darfur do Sul, teria provocado pelo menos 30 mortos e 43 feridos, sem que por enquanto as Forças Armadas tenham se pronunciado a respeito.
Segundo a Aliança Fundadora do Sudão (Tasis), uma plataforma política vinculada às RSF, o bombardeio teve como alvo o mercado de Al Mawashi e teria sido realizado por meio de um drone que decolou de uma base militar utilizada pelo Egito, país que apoia o Exército sudanês.
Como resultado da "flagrante ingerência do Exército egípcio nos assuntos sudaneses, 30 pessoas foram assassinadas e outras 43 ficaram feridas.
"Atacar mercados movimentados e áreas povoadas constitui uma violação flagrante do direito internacional humanitário e, para todos os efeitos, um crime de guerra, ao expor as vidas dos civis a serem alvos diretos de ataques", condena a aliança.
A organização civil Emergency Lawyers também responsabilizou o Exército por este bombardeio, que teria deixado "dezenas de mortos e feridos entre a população civil"; um ataque que "representa uma grave violação das normas do direito internacional humanitário, que exigem a proteção de civis e bens de caráter civil, e proíbem ataques indiscriminados e ataques que não distinguem entre civis e combatentes".
Este bombardeio se insere no conflito armado que assola o Sudão desde 15 de abril de 2023, quando a negativa das RSF em se integrar nas fileiras do Exército desencadeou uma guerra aberta, agravada pelas tensões intercomunitárias na região ocidental de Darfur, que levaram o país a uma situação de colapso.