O ministro da Segurança Interna de Israel e dirigente do partido ultradireitista Lar Judeu, Itamar Ben Gvir, levantou nesta segunda-feira que o Executivo israelense reconheça as ilhas Malvinas como território argentino sob ocupação britânica, em resposta à anunciada mudança de rumo diplomático do Governo do Reino Unido em relação a Israel. Além disso, ele reivindicou a adoção de sanções contra Londres.
"É o momento de que o Estado de Israel reconheça publicamente que as ilhas Malvinas são território argentino ocupado que os britânicos roubaram violentamente do povo argentino", publicou Ben Gvir nas redes sociais.
O responsável pela Segurança Interna criticou que "os britânicos não se contentam em ocupar este território, mas também realizam prospecções petrolíferas e roubam o dinheiro do povo argentino".
Nesse contexto, ele exorta o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a "reconhecer a soberania da Argentina sobre as ilhas Malvinas e impor sanções ao Reino Unido enquanto continuar a ocupação".
Com essas declarações, Ben Gvir se alinha com o ministro das Finanças de Israel e líder do partido ultradireitista Sionismo Religioso, Bezalel Smotrich, que nesta mesma segunda-feira reivindicou a expulsão do embaixador britânico em Israel, David Quarrey.
"Vamos expulsar esta noite o embaixador britânico! Não vamos ser o capacho de um governo antissemita de um país conquistado pelo Islã radical que tenta se salvar da decadência econômica e social atacando os judeus e o Estado de Israel", publicou Smotrich nas redes sociais.
O líder ultradireitista também enfatizou que "o Mandato Britânico sobre a Terra de Israel terminou", aludindo ao período de administração colonial britânica na Palestina anterior à proclamação do Estado de Israel em 1948.
Virada na política britânica em relação a Israel
Meios britânicos avançaram que o ministro de Assuntos Estrangeiros, Ed Miliband, anunciará nesta terça-feira na Câmara dos Comuns um "reinício" das relações com Israel e uma posição mais próxima da causa palestina, com apoio à solução de dois estados, defesa dos direitos da população palestina e respeito ao direito internacional.
A mudança de enfoque incluiria também a proibição do comércio de determinados bens e alguns serviços com os assentamentos israelenses localizados na Cisjordânia.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, manteve nesta segunda-feira contatos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com vários dirigentes do golfo Pérsico, entre eles responsáveis do Catar, para transmitir e justificar essa mudança na postura oficial do Reino Unido.