Os Executivos do Brasil e dos Estados Unidos decidiram reativar seus contatos em matéria comercial por meio de uma reunião virtual que será realizada na próxima segunda-feira, 31, pelo ministro brasileiro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer.
Segundo apontaram a agência Brasil e o jornal "Folha", essa conversa foi impulsionada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que mantiveram uma chamada telefônica na última sexta-feira na qual concordaram em retomar o diálogo entre os dois países.
Durante essa comunicação, o mandatário brasileiro informou que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e reiterou que, sob a perspectiva do Governo brasileiro, as razões apresentadas pela Casa Branca para impor os novos encargos não têm fundamento, de acordo com a agência Brasil.
Esse novo contato poderia servir para reabrir as negociações entre Washington e Brasília, que ficaram paradas depois que em julho o escritório do USTR aplicou um acréscimo de 25% a diversos produtos provenientes do Brasil, após cerca de um ano de investigações.
Entre os argumentos utilizados figurava uma suposta falta de "boa fé" de Brasília no processo negociador com Washington; a defesa por parte das autoridades brasileiras do sistema de pagamentos eletrônicos Pix que, segundo a Casa Branca, prejudica "injustamente" fornecedores americanos, assim como uma suposta punição "a empresas tecnológicas americanas por se recusarem a censurar o discurso político", em referência à sanção imposta à rede social X, propriedade do empresário sul-africano Elon Musk, por não acatar a ordem de retirar contas de investigados por disseminar mensagens consideradas antidemocráticas.
A essas tarifas se somaram as estabelecidas pela Casa Branca contra numerosos países e contra a União Europeia por, segundo a Administração Trump, não contarem com mecanismos eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.