A China lançou uma ordem para que seus cidadãos abandonem Eswatini, Estado africano que mantém laços diplomáticos com Taiwan, argumentando que o país atravessa uma situação de segurança muito delicada por "a fraude generalizada nas telecomunicações e o jogo online".
"Eswatini enfrenta uma complexa situação de segurança, marcada pela fraude generalizada nas telecomunicações, o jogo online e riscos para a segurança extremamente elevados", indicou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, em coletiva de imprensa.
Segundo defendeu Pequim, a emissão de alertas de viagem é uma "prática habitual em todo o mundo". "Comprometidos com uma abordagem centrada nas pessoas e com uma diplomacia a serviço da população, faremos tudo o que for necessário para salvaguardar a segurança e os direitos e interesses legítimos dos cidadãos chineses no exterior", indicou.
Lin insistiu nos "riscos extremamente elevados" que enfrentam os nacionais chineses em Eswatini e sublinhou que a decisão de publicar este aviso chega após uma "avaliação prudente" da conjuntura no terreno.
Em maio, Eswatini recebeu o presidente de Taiwan, Lai Ching Te, em uma visita inesperada que ocorreu após falhar uma tentativa anterior, frustrada depois que vários países africanos vetaram o uso de seu espaço aéreo pelo avião do dirigente taiwanês em um contexto de fortes pressões diplomáticas por parte da China.
Concretamente, Seychelles, Maurício e Madagascar retiraram às pressas as autorizações de voo, um movimento que Taipei vinculou diretamente às pressões de Pequim sobre esses governos. Sobre esse deslocamento, as autoridades chinesas denunciaram o "estilo contrabandista" da viagem de Lai e instaram tanto Eswatini quanto outros Estados a não "buscar benefício por um pequeno número de separatistas de Taiwan".