O principal candidato da oposição nas eleições presidenciais de 13 de agosto em Zambia, Brian Mundubile, foi preso no contexto das acusações de traição apresentadas contra ele durante o processo eleitoral, no qual saiu vencedor o atual presidente, Hakainde Hichilema.
Mundubile e seu candidato à Vice-Presidência, Makebi Zulu, foram detidos pelas forças de segurança e permanecem sob custódia em uma prisão da capital, Lusaca, onde estão sendo interrogados pelas autoridades, segundo informou o jornal zambiano "The Lusaka Times".
Ambos os líderes da oposição fugiram depois que dezenas de agentes realizaram em 14 de agosto uma operação em um imóvel de Lusaca vinculado a Mundubile, na qual foi abatido o ex-ministro Mutotwe Kafwaya e vários opositores foram presos, após o Governo acusar a oposição de preparar atividades insurgentes.
Após a operação, o partido de Mundubile assegurou que seu líder estava em um "lugar seguro", e posteriormente soube-se que ele havia se refugiado em um edifício das Nações Unidas. A detenção teria ocorrido após um acordo para sua entrega às forças de segurança, de acordo com a mesma fonte.
Este episódio se soma à decisão das autoridades de fechar em 24 de agosto a sede do Tribunal Supremo e outros tribunais, entre eles o Constitucional, alegando "motivos de segurança", a menos de 24 horas de que terminasse o prazo para que Mundubile pudesse apresentar um recurso de impugnação dos resultados eleitorais.
Nas eleições presidenciais, Mundubile obteve 38,5% dos votos, enquanto Hichilema superou 60% dos sufrágios, o que lhe permitiu renovar seu mandato por mais cinco anos, após chegar ao poder ao vencer as eleições de 2021, nas quais derrotou o então chefe de Estado, Edgar Lungu.