O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos revelou um novo pacote de sanções contra o Irã dentro de sua operação "Marginalizado Econômico". Nesta ocasião, o foco se situa na plataforma de intercâmbio de criptomoedas BitBank, controlada pelo empresário iraniano previamente sancionado Babak Zanjani. As medidas se estendem também a uma empresa desenvolvedora associada ao BitBank e a três sócios próximos de Zanjani, todos acusados de fazer parte de uma suposta rede utilizada "para lavar fundos e transferir centenas de milhões de dólares em bitcoin para a Guarda Revolucionária Islâmica".
O anúncio foi feito pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, pela sigla em inglês), o órgão do Tesouro responsável por aplicar sanções, que define as pessoas e entidades sinalizadas como "componentes-chave da infraestrutura do regime iraniano para evadir sanções por meio do uso de ativos digitais".
Segundo a OFAC, o BitBank teria sido utilizado pela entidade Hormuz Safe Marine Services Authority, já sancionada por Washington, para canalizar para o regime iraniano os pagamentos que recebia. O departamento dirigido pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, sustenta que esta nova rodada de sanções "ataca diretamente a arquitetura que Zanjani construiu para lavar fundos e transferir centenas de milhões de dólares em Bitcoin para a Guarda Revolucionária Islâmica", com o BitBank situado no núcleo desse emaranhado.
Zanjani, que foi condenado à morte no Irã em 2016 por apropriar-se de fundos do Ministério do Petróleo com o objetivo de contornar as sanções americanas, viu como sua condenação capital foi substituída em 2024 por uma pena de 20 anos de prisão. Para 2025, de acordo com a OFAC, já havia reaparecido na cena pública como impulsionador de projetos econômicos ligados às autoridades iranianas.
O órgão dependente do Tesouro sustenta que, desde então, o magnata levantou "uma rede de empresas de ativos digitais utilizadas, em parte, para lavar dinheiro para a Guarda Revolucionária Islâmica". "Através desta infraestrutura combinada, as empresas de Zanjani funcionaram tanto como iniciativas comerciais visíveis ao público quanto como plataformas financeiras encobertas que facilitam a evasão de sanções e o apoio a entidades vinculadas ao Estado iraniano", registra a nota oficial.
Entre as companhias citadas figura a BitBank, descrita pela OFAC como uma casa de câmbio de ativos digitais impulsionada por Zanjani e "apontada como parceira por outras múltiplas empresas dentro da rede de evasão de sanções de Zanjani". O organismo precisa que "entre junho e julho deste ano, Zanjani utilizou a BitBank para facilitar a transferência ao IRGC de Bitcoin por um valor de centenas de milhões de dólares".
Além da BitBank, os Estados Unidos incluíram em sua lista negra o desenvolvedor do software da plataforma, Pishtaz Simorgh Electronic Trade Company, que por sua vez é filial da companhia Dot One, igualmente designada por Washington.
Ao mesmo tempo, o Tesouro formalizou a designação dos "executivos" desta empresa matriz: Hosein Alí Zaker Hosein, Mohamad Mahdi Zaker Hosein e Seyed Adel Heidari, a quem identifica como "colaboradores chave" dentro da rede articulada por Zanjani.
A OFAC sustenta que o primeiro "participou na maior parte das atividades de evasão de sanções de Zanjani, incluindo a exportação de petróleo iraniano" e "transações de ativos digitais que finalmente foram parar na Guarda Revolucionária". Quanto a Mohamad Mahdi Zaker Hosein, o apresenta como "gerente e representante da Dot One, além de diretor executivo da Pishtaz Simorgh", enquanto que de Adel Heidari indica que é "vice-presidente do conselho de administração da Dot One".
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, sublinhou a relevância dessas cinco novas designações, ao afirmar que as sanções aprovadas "deixam muito claro que os esforços para financiar o regime iraniano utilizando criptomoedas não escapam ao alcance da OFAC". E rematou com um aviso direto: "Se você apoia o regime iraniano, o Departamento do Tesouro lhe imporá sanções".