O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, alertou nesta segunda-feira que "a Alemanha não comete erros pequenos", a propósito da vitória do partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições do estado da Saxônia-Anhalt, e manifestou seu temor de que se recorra a uma declaração de guerra contra a Rússia como forma de encobrir o fracasso das formações tradicionais.
"Tenho um desejo: que este resultado nas eleições regionais alemãs não leve a oferecer uma guerra com a Rússia como única forma de encobrir a derrota dos partidos governantes", propôs Fico, segundo a imprensa eslovaca. "Porque como diz o velho ditado, a Alemanha não comete erros pequenos", acrescentou.
Na opinião de Fico, o triunfo da AfD responde a uma decisão legítima do eleitorado alemão e representa uma mensagem direta aos partidos que, em sua opinião, aplicaram políticas erradas em matéria migratória, na guerra e na competitividade da economia europeia. Este "fracasso" dos partidos tradicionais, advertiu, poderia resultar em um deterioro adicional das relações com a Rússia.
"O eleitor alemão premiou um partido, AfD, com uma vitória importante em eleições democráticas regionais. É uma decisão soberana do eleitor em um país soberano e, portanto, é inadequado comentar os resultados eleitorais como se fosse o fim da democracia ou algo aterrorizante", argumentou.
Em contraste com aqueles que apresentam o avanço da AfD como uma ameaça direta ao sistema, Fico interpreta o que aconteceu como uma resposta à linha seguida pelas forças tradicionais. "Em geral, os partidos tradicionais falharam na imigração, apoiam as guerras de forma militante e não querem admitir a ameaça que a política climática europeia representa para a competitividade. Eles perdem e são substituídos por outros partidos que oferecem soluções simples, mas soluções", acrescentou em uma mensagem nas redes.
A AfD se impôs nas eleições regionais realizadas neste domingo no estado alemão da Saxônia-Anhalt, embora sem reunir os apoios necessários para formar governo sozinha. A formação obteve 43,8% dos votos e 39 cadeiras, três a menos do que o necessário para a maioria absoluta. Em seguida, estão a CDU (17,%); o SPD (9,3%); Os Verdes (8,9%); A Esquerda (8,6%) e a Aliança Sahra Wagenknecht (5,3%).