O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, sublinhou nesta segunda-feira que a continuidade do conflito armado não traz nenhum benefício à região do Golfo e instou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, a articular uma frente conjunta para enfrentar os efeitos das sanções impostas pelos Estados Unidos.
"A República Islâmica do Irã cumpriu com os compromissos adquiridos no âmbito dos acordos, mas lamentavelmente a parte americana não cumpriu os seus. No entanto, continuamos nos esforçando para alcançar um acordo e entendimento, e acreditamos que continuar a guerra não nos beneficia, nem à região, nem à humanidade", afirmou o mandatário iraniano após se reunir com Modi à margem da Organização de Cooperação de Xangai (OCS) que se realiza no Quirguistão.
De acordo com a rede estatal IRIB, Pezeshkian destacou que "o diálogo e a cooperação" devem ser colocados em primeiro plano e que é necessário empregar "todos os recursos disponíveis para prevenir a propagação da insegurança e do conflito" na área.
Nesse contexto, durante seu encontro com Modi, enfatizou que Irã e Índia "podem melhorar seu nível de cooperação econômica" e "neutralizar os efeitos das sanções". "O potencial da Índia para contribuir para fortalecer a paz e a estabilidade regionais é significativo", destacou, propondo uma resposta coordenada frente à campanha de isolamento econômico impulsionada por Washington.
"Teerã está disposto a ampliar sua cooperação com a Índia em diversos âmbitos", acrescentou, criticando as "pressões e restrições" que estão sendo impostas sobre os vínculos econômicos do Irã com outros países.
Por sua vez, o primeiro-ministro indiano ressaltou a importância dos laços bilaterais com Teerã. "Durante esses tempos difíceis recentes, tentamos continuar e manter nossa cooperação e comunicação com o Irã", indicou em declarações divulgadas pela televisão iraniana, antes de clamar "redobrar os esforços para estabelecer a paz". "Acredito que, em última análise, a paz e a segurança prevalecerão", concluiu.
As declarações ocorrem em um momento de renovada tensão, depois que os Estados Unidos e o Irã tenham trocado nesta segunda-feira ataques militares pela primeira vez em semanas. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) reivindicou uma "ação limitada e precisa" contra "unidades de minagem da Guarda Revolucionária Islâmica que representavam uma ameaça iminente", negando de forma categórica que possa ser considerado um "ato de agressão".
Em resposta, as forças iranianas afirmaram ter atacado caças americanos nas bases aéreas Rei Husein e Al Azraq, ambas localizadas na Jordânia, assim como helicópteros e efetivos dos Estados Unidos na base de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), uma ofensiva que foi desmentida pelas autoridades emiratenses.