Irã se abre a um pacto com Washington e a receber inspetores da ONU após sua oferta sobre Ormuz

Pezeshkian oferece reabrir Ormuz, retomar o diálogo com os EUA, aceitar inspetores da ONU e assegura a boa saúde de Mojtaba Jamenei.

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O presidente iraniano, Mazoud Pezeshkian, afirmou neste sábado que o Irã "cumprirá com tudo aquilo a que se comprometer" se os Estados Unidos aceitarem a última iniciativa de Teerã para reabrir o estreito de Ormuz, segundo declarou em uma entrevista concedida à rede CBS.

Em um contexto de contatos indiretos por meio de mediadores e após a recente proposta iraniana para reabrir o passo estratégico —que a Casa Branca ainda não avaliou publicamente—, Pezeshkian indicou que precisa saber "sobre o que se quer chegar a um acordo exatamente" e lembrou os episódios em que Washington atacou a região enquanto ambos os países mantinham conversas.

Interrogado sobre quando espera uma resposta da Administração Trump à sua oferta de reabrir o estreito e retomar o diálogo, o chefe do Executivo iraniano foi categórico: "Se esta mensagem chegar ao presidente dos Estados Unidos, ou aos entrevistadores e aos envolvidos nas conversas, naturalmente o processo começará no mesmo dia em que o aceitarem".

Dessa forma, o mandatário reiterou sua disposição a retomar as negociações com os Estados Unidos, embora tenha reconhecido a existência de uma "atmosfera de desconfiança".

"Enquanto não deixarem de nos impor o que fazemos diariamente, é difícil confiar neles. A cada dia aumentam as sanções contra nós. A cada dia nos ameaçam. A cada dia nos atacam. E não cumprem o que escreveram. Então, se iniciarem conversas, realmente cumprirã suas promessas?", sublinhou o presidente iraniano, aludindo à pressão constante que, em sua opinião, exerce Washington.

Além disso, responsabilizou os Estados Unidos pelo fato de que as conversas de paz mantidas no verão não tenham se consolidado e reclamou um retorno integral ao pacto original assinado em julho.

"Se operarem de acordo com esse marco, acredito que todos o acataremos", sentenciou.

Irã abre a porta para os inspetores nucleares da ONU

Em outro momento da entrevista, o presidente do Irã mostrou sua disposição para que especialistas das Nações Unidas realizem inspeções sobre o suposto enriquecimento ilegal de urânio por parte de Teerã.

"Isso é absolutamente correto", respondeu ao ser questionado sobre essa possibilidade, e acrescentou: "Se desejam vir e realizar inspeções, podemos chegar a acordos e convenções a respeito desse tema específico durante as negociações".

Ao mesmo tempo, reiterou que seu país não persegue a fabricação de uma arma nuclear, justificando que este tipo de armamento é "haram" (palavra árabe utilizada no Corão que significa 'proibido').

"Desenvolver armas nucleares é haram", precisou, insistindo que, mesmo que certos setores dentro do Irã apostassem em construir uma bomba atômica, "religiosamente falando, não lhes está permitido seguir esse caminho".

Nos últimos anos, o Irã elevou o nível de enriquecimento de urânio até limiares próximos aos necessários para produzir armamento nuclear e, embora negue que tenha intenção de fabricar uma bomba, também se negou a renunciar completamente a essas atividades de enriquecimento.

A saúde do líder supremo, em bom estado

Quanto à sua relação com o líder supremo, Mojtaba Jamenei, ausente da cena pública desde o ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel no qual morreu o ex-líder e seu pai, Ali Jamenei, Pezeshkian ressaltou que Mojtaba não apresenta "nenhum problema de saúde específico nem dificuldades atuais".

O presidente explicou que se reuniram em duas ocasiões, uma delas durante mais de sete horas, e relatou que permaneceram "durante tantas horas" sentados e que "mudaram de posição" porque não estavam habituados a permanecer tanto tempo na mesma postura.

"Do ponto de vista médico, está completamente saudável (...) Escutem-me como médico e aceitem isso. Não tem nenhum problema", confirmou, tentando esclarecer as dúvidas sobre seu estado físico.

Finalmente, Pezeshkian detalhou que conta com uma equipe "composta por seis membros de diversas organizações, forças de segurança, representantes parlamentares e agências governamentais, que se reúnem para dialogar, realizar consultas sobre os processos de tomada de decisões e chegar a qualquer decisão mediante a coordenação", que o assessora em matéria de política externa e diplomacia, além do papel do líder supremo.