Israel responde a Sánchez e o acusa de lançar "mentiras descaradas" após vincular redes israelenses com boatos sobre a crise de Ceuta

O ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, rejeita as acusações do presidente do Governo e assegura que essas afirmações não distrairão de sua gestão da crise migratória.

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O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, acusou nesta segunda-feira o presidente do Governo, Pedro Sánchez, de disseminar "mentiras descaradas" depois que o chefe do Executivo apontou para redes ligadas à Rússia e a Israel pela disseminação de boatos durante a crise migratória de Ceuta.

Saar respondeu às declarações de Sánchez através de uma mensagem publicada em redes sociais, na qual rejeitou que Israel estivesse por trás da disseminação de informações enganosas relacionadas com as entradas massivas registradas na cidade autônoma no final de julho.

"Voltou a mentir, acusando, surpreendentemente, Israel de disseminar informações enganosas sobre os acontecimentos de Ceuta. Isso é uma mentira descarada", apontou o chefe da diplomacia israelense.

Saar critica a gestão de Sánchez

O ministro israelense elevou o tom de sua resposta e questionou a gestão do presidente espanhol durante a crise migratória.

"Continuar disseminando mentiras difamatórias não desviará da vergonhosa incapacidade de Sánchez para gerir os assuntos de seu país", afirmou Saar.

As declarações ocorrem depois que Sánchez rejeitou apontar Marrocos como responsável pela entrada massiva de migrantes em Ceuta e assegurou que não existe "nenhuma informação" que aponte ao país vizinho como origem da crise.

O presidente do Governo colocou o foco, por outro lado, na circulação de conteúdos falsos em redes sociais durante os dias anteriores e posteriores às entradas massivas.

Sánchez aponta para redes russas e israelenses

Sánchez afirmou que durante a crise ocorreu uma disseminação coordenada de boatos através de redes ligadas a diferentes atores.

"De fato, houve redes russas e israelenses que propagaram esses boatos e que atacaram o Governo da Espanha e os governos europeus em um tema muito corrosivo, como é a luta contra a migração irregular", declarou.

O presidente vinculou essas ações com análises do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) da União Europeia e sustentou que os conteúdos disseminados pretendiam atacar a Espanha e outros governos europeus.

Segundo Sánchez, parte dessas campanhas estaria relacionada com as posições mantidas pela Espanha sobre questões internacionais, entre elas sua postura em relação à guerra de Gaza e à invasão russa da Ucrânia.

O chefe do Executivo também mencionou "uma internacional ultradireitista" a qual acusa de utilizar a questão migratória para atacar a Espanha e a Europa.

A crise de Ceuta mantém aberto o enfrentamento político

O intercâmbio de acusações entre Sánchez e Saar ocorre enquanto continua a gestão da crise migratória de Ceuta, após a entrada maciça de cerca de 80.000 pessoas no final de julho, segundo os números manejados nas declarações coletadas pela Europa Press.

O Governo estabeleceu um comando único, liderado pelo ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres, para coordenar a resposta das distintas administrações.

A crise também provocou tensões diplomáticas com outros países europeus. A Itália manteve controles fronteiriços para os viajantes provenientes da Espanha, uma medida que o Executivo de Giorgia Meloni justificou pela situação migratória em Ceuta.

Em paralelo, as autoridades espanholas continuam trabalhando na identificação, encaminhamento e retorno das pessoas que permanecem na cidade autônoma, enquanto o Governo reclama cooperação europeia para enfrentar a pressão sobre os sistemas de acolhimento.

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