Nepal teme uma segunda cheia: a ameaça que permanece rio acima após a catástrofe

As autoridades mantêm o alerta porque um novo bloqueio continua rio acima do rio Lhende Khola e poderia provocar outra cheia repentina nas mesmas áreas já devastadas.

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A catástrofe do Nepal pode não ter terminado. As autoridades alertaram que existe risco de uma segunda grande cheia porque permanece um bloqueio rio acima do rio Lhende Khola, o leito relacionado com a inundação que devastou localidades do norte do país junto à fronteira com o Tibete.

A primeira cheia destruiu casas, estradas, pontes e instalações hidrelétricas e deixou dezenas de mortos e centenas de desaparecidos de ambos os lados da fronteira. Mas enquanto continuam as operações de busca, as equipes de emergência agora monitoram o que acontece rio acima.

A possibilidade de que esse bloqueio natural ceda repentinamente mantém sob ameaça as populações situadas rio abaixo.

O que preocupa agora as autoridades

A hipótese com a qual trabalham os investigadores aponta que um terremoto pode ter desencadeado uma avalanche de gelo e rocha sobre o rio Lhende Khola. Essa massa teria bloqueado temporariamente o leito e contribuído posteriormente para liberar de forma súbita uma enorme quantidade de água, lama e entulho.

O problema é que ainda existe outro bloqueio rio acima, segundo as autoridades citadas pela Reuters. Se acumular água suficiente e acabar se rompendo, pode gerar uma segunda onda de inundação.

Não existe por enquanto uma previsão que permita estabelecer quando poderia ocorrer nem que dimensões alcançaria. Precisamente por essa incerteza, as autoridades pediram para manter a vigilância e evitar as proximidades dos leitos afetados.

Nepal mantém ativados os alertas

O Departamento de Hidrologia e Meteorologia do Nepal mantém nesta quarta-feira avisos hidrológicos ativos e o sistema nacional de monitoramento de rios continua operativo. O organismo dispõe ainda do telefone gratuito 1155 para informações meteorológicas e alertas de inundação.

Os avisos afetam especialmente as áreas atravessadas pelos sistemas fluviais que descem da fronteira tibetana em direção ao interior do Nepal.

Os danos sofridos pelas estradas e telecomunicações complicam ainda mais a vigilância de determinadas zonas e o acesso das equipes de resgate.

Uma cheia que percorreu vários sistemas fluviais

A catástrofe afetou o entorno do Bhote Koshi e o Trishuli, dois leitos fundamentais nesta zona do Himalaia.

A cheia arrastou estruturas e materiais montanha abaixo até alcançar localidades e passos fronteiriços, e também afetou Gyirong, do lado tibetano. Associated Press informa de danos graves ao longo dos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani.

Neste tipo de episódios, o perigo não depende unicamente da chuva que cai sobre o terreno. Um deslizamento ou uma avalanche podem criar uma represa natural e fazer com que a água se acumule durante horas antes de se liberar de maneira súbita.

A zona já sofreu outra grande inundação há 14 meses

A preocupação se agrava porque esta região já padeceu outro grande episódio de inundações há apenas 14 meses.

O antecedente alimenta o debate científico sobre a vulnerabilidade crescente do Himalaia, onde se combinam glaciares, fortes pendentes, atividade sísmica, lagos de montanha e infraestruturas assentadas em vales estreitos.

Por enquanto, a prioridade continua sendo localizar os desaparecidos e evitar que uma nova cheia surpreenda as equipes de resgate e habitantes das zonas situadas rio abaixo.

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