Abdellatif Hammouchi é um dos homens com maior poder dentro do aparato de segurança marroquino. Desde 2005 dirige a Direção Geral de Vigilância do Território (DGST), o serviço de inteligência interior do reino, e desde 2015 ocupa também a chefia da Direção Geral de Segurança Nacional (DGSN), responsável pela Polícia.
Seu nome voltou ao primeiro plano por publicações atribuídas a Jabaroot. Aqueles que operam atualmente sob essa identidade o incluem entre os principais responsáveis do aparato de segurança marroquino e lhe atribuem participação na recente crise de Ceuta. Por enquanto, essa imputação procede exclusivamente do grupo e não foi acreditada de forma independente.
A figura de Hammouchi é especialmente relevante para a Espanha porque as autoridades espanholas mantêm há anos uma estreita cooperação com as estruturas que dirige em matérias como terrorismo, criminalidade organizada, narcotráfico e imigração irregular.
Da inteligência à chefia da Polícia marroquina
Hammouchi nasceu em 1966 e estudou Direito na Universidade Sidi Mohamed Ben Abdellah de Fez antes de se incorporar aos corpos de segurança. Sua carreira ficou vinculada desde muito cedo aos serviços de informação e à luta contra organizações islamistas e redes terroristas.
Em dezembro de 2005, Mohamed VI o nomeou diretor da DGST. Tinha então 39 anos e começou a se consolidar como uma das figuras centrais da arquitetura de segurança criada pelo Marrocos após os atentados de Casablanca de 2003.
O salto definitivo chegou em 15 de maio de 2015, quando o rei o nomeou diretor geral da Segurança Nacional sem o relevar da inteligência interior. Desde então mantém uma capacidade de comando pouco habitual ao concentrar sob sua autoridade dois organismos essenciais do Estado marroquino.
Um interlocutor prioritário para a Espanha
A cooperação entre Espanha e Marrocos em segurança tornou Hammouchi um interlocutor habitual das Forças e Corpos de Segurança espanhóis. A troca de informações entre ambos os países se estende a terrorismo jihadista, redes criminosas, tráfico de drogas e criminalidade transfronteiriça.
Essa coordenação continuou durante 2026. No mês passado, uma delegação chefiada pelo chefe de Informação da Guarda Civil manteve em Rabat uma reunião de alto nível com Hammouchi para abordar a cooperação contra o terrorismo e outras ameaças compartilhadas.
O responsável marroquino também participa em mecanismos internacionais de coordenação com outros países europeus. Seu papel nessas relações explica que seja um dos funcionários do reino com maior interlocução direta com responsáveis policiais e de inteligência estrangeiros.
Espanha lhe concedeu a Grande Cruz em 2019 e Marlaska a entregou em 2025
O reconhecimento institucional espanhol ficou refletido em setembro de 2019, quando o Conselho de Ministros aprovou, a proposta do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, a concessão a Hammouchi da Grande Cruz da Ordem do Mérito da Guarda Civil.
A distinção foi publicada no Boletim Oficial do Estado naquele mesmo ano, embora a cerimônia pública de entrega tenha sido celebrada muito depois. O 11 de novembro de 2025, Grande-Marlaska presidiu em Madrid o ato em que Hammouchi recebeu fisicamente a Grande Cruz.
Portanto, a condecoração foi concedida em 2019 e entregue em 2025. O reconhecimento reflete o valor que o Interior tem atribuído durante anos à cooperação de Marrocos em matéria de segurança e luta antiterrorista.
França também reconheceu seu papel em segurança
A relação internacional de Hammouchi não se limita à Espanha. A França também reconheceu publicamente seu papel na cooperação contra o terrorismo e o crime organizado.
Em junho de 2025 recebeu o grau de oficial da Legião de Honra francesa, dentro de uma trajetória marcada por uma intensa relação com serviços de segurança europeus e árabes.
Esse reconhecimento internacional reforça o perfil de Hammouchi como uma figura cuja influência transcende a política interna marroquina e se projeta sobre as principais redes de cooperação policial e de inteligência do Mediterrâneo ocidental.
Jabaroot o situa no centro de suas acusações sobre Ceuta
As últimas filtragens atribuídas a Jabaroot colocaram Hammouchi em uma posição distinta. O grupo o inclui entre os altos responsáveis marroquinos a quem atribui responsabilidades na gestão da recente crise de Ceuta.
Jabaroot também divulgou listas e documentos sobre supostos membros dos serviços de segurança marroquinos, embora a qualidade e atualidade de algumas dessas bases estejam sendo questionadas. Entre os nomes divulgados aparece até mesmo Abdelhak Khiame, antigo responsável da Oficina Central de Investigações Judiciais, falecido em 2022.
Esse tipo de inconsistências obriga a manter uma cautela especial com as conclusões do grupo. A posição de Hammouchi à frente da Polícia e da inteligência marroquina é um fato documentado; sua suposta participação concreta nos acontecimentos de Ceuta, por outro lado, continua sem estar demonstrada.